terça-feira, 23 de agosto de 2016

A contrario

Paris, Texas. Um Wim Wenders franco-alemãoPalma de Ouro Cannes 1984.
A seu modo, também é premonitório este filme. Porque ao contrário dos filmes americanos que vale a pena ver (directos, frontais e pragmáticos), este filme europeu é lento e redundante, perdido em contraditórios labirintos. Representa uma visão torturada e ruminante da existência, a dos povos europeus. Mormente os de hoje, como nós todos, por específicas razões.
Travis caminha pelo deserto até à exaustão. Perdeu a fala e os modos de assumir uma identidade. E é lenta e quase penosamente que viremos a saber porquê.
Conheceu a paixão até ao paroxismo, até o casal se destruir. Um filho que ficou, Hunter, vem pôr as coisas a limpo. Através dele, o pai retoma a consciência própria e a mãe reencontra o filho. Mas isso não chega para salvar o casal, em que a paixão mútua parece manter-se ao rubro, se ainda fosse possível.
Uma mirada de duas horas aqui.