sábado, 28 de março de 2015

Cinderela

No Verão do ano passado, a andorinha fez um ninho ao canto do alpendre. Mas depois da trabalheira, a barafunda das obras obrigou-a a enjeitá-lo, por razões de segurança. E uma forneira logo tomou conta dele, num regime qualquer de comodato. Foi lá que criou dois filhos.
A andorinha é gárrula e vaidosa, quanto a outra é discreta e recatada. Tendo que ser bastam-lhe uns monossílabos, nunca se atarda na fonte, nem se lamenta das banhadas de cadeira quando a convidam para o baile. Para ela não há mal que sempre dure nem bem que se não acabe.
Dei com ela atarefada esta manhã, nas limpezas da Páscoa. E não podia ter melhor vizinha.