quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

As Aves 4-4

O viajante tem fraco entendimento destas simbologias, e das razões que lhes deram nascimento.Observa de relance a dúzia de finas agulhas rendilhadas, que se espetam no céu e lhe causam vertigens, e irrompem dum confuso jardim de ramagens de pedra, dum turbilhão de linhas em que os olhos se perdem em arabescos de calcário, qual teia duma aranha atónita, onde ficaram eternamente imóveis assembleias de apóstolos, concílios de beatos, comícios de sisudos profetas, estátuas de evangelistas circunspectos, bustos de princesas coroadas, academias de arcanjos, virgens a esmagar dragões zangados, béstias mitológicas, sátiros infernais, grifos, tritões, centauros, sibilas, polifemos, elfos e olharapos, copistas presos às bancas, bodes de costas voltadas, sereias de cauda dupla, touros de cornos em lira, gnomos sem cabeça, pégasos alados, águias bicéfalas, demónios a ferver proscritos nus em caldeirões, basisliscos, lobisomens, gáugulas, brasões, e sobre este portal dão-se as mãos um sujeito de casula e mitra e outro de elmo e couraça, e meio escondida aqui neste recanto ergue uma taberneira um pichorrão de vinho em cada mão, e no alto desta coluna abriga-se ao capitel uma abadessa cujos peitos inflados dois faunos abocanham, não vale a pena procurarmos mais, vivas aqui só as gralhas a ralhar entre si nos pináculos, e quem nos espia rindo é o diabo em pessoa, atrás daquele arcobotante.

Gaspar conclui rapidamente o circuito dos terraços e das platibandas, das cornijas e das carrancas, um dia saberá apreciar, um dia aprenderá a entender melhor estes lugares e estes mistérios da vida. Hoje tem apenas a vaga intuição de que ninguém constrói uma fábrica assim, senão para afirmar o poder que tem. Todas as divindades lhe são por igual indiferentes. Mas, a haver um criador dos homens e do mundo, por certo o seu único e profanado templo era o corpo do alvanil que um dia subiu a esta torre para acomodar-lhe a pedra de fecho, e com ela se despenhou, no terreiro desta praça de Santa Maria.

Mal deixam Burgos para trás, caem os viajantes em prolongado sono, não falamos, claro, de João, que não pode descartar-se de papel mais activo e vigilante. A próxima paragem é para lá de Vitória, no fim jantaremos na Baiona francesa e despedimo-nos, isto foi o que ele deixou dito logo à saída, antes de uma chuva miúda e quezilenta vir puxar o brilho à fita negra da estrada, cerrar as cortinas da paisagem e reduzir ainda mais o espaço de manobra aos viajantes.

Assim adormecido, Gaspar fica liberto de cogitações sobre floreados de pedra, e o ofendido corpo do alvanil há muito que regressou ao pó, nem em pesadelos viria agora recuperer alento. E só acordará, falamos de Gaspar, lá muito para diante, quando a isso o forçarem os incómodos da orografia, e os montes do país basco vierem a quebrar a suave monotonia desta rota.

E é pena, que então já será tarde. Cada um sabe de si, verdade amiúde publicada e nem sempre pertinente, sobretudo se tivermos na conta devida quanto pode ajudar-nos, no avaliar das dores próprias, o cotejo com alheios males maiores. Este viajante não nos tem escondido desconfortos e incertezas  ao longo da viagem, às vezes desalento, quando não mau humor. Para seu governo e edificação, convir-lhe-ia atentar nestes caminhos do mundo, trilhados que têm sido por tanta gente em pior condição e mais lastimoso estado. Mas isso são histórias a que Gaspar não assistiu, nem menos adormecido lhe serviriam de consolo. (Cont.)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

As Aves 4-3

Por essa razão íamos nós perdendo a vez de olhar Torquemada de perto. Passava-nos o burgo ali à esquerda, amalhado ao pé duma colina vasta,  rebanho assustado, mal nos davam os olhos nele. De ruim ninho sai o bom passarinho, a ser verdade o que o povo diz. Mas aqui devemos nós lembrar a inversa, que é já se terem visto passarões levantar ruto de ninhos mais benignos, se será este o caso. Sabe Gaspar, por sua nem sempre agradável experiência, que os filhos serão muito do que forem as terras-mães donde saíram. O que não sabe é se as terras acabam também por ser alguma coisa do que os seus filhos foram. Nem ele nem nós. A verdade é que tudo neste povoado tem a cor das cinzas que as grandes fogueiras sempre deixam, quando esfriam. Com justiça ou sem ela, e enquanto aos homens não falecer a memória de vez, de nada valerá a Torquemada alegar-se inocente, disfarçar-se na raiz deste monte e dizer que nunca lhe cheirou a carne queimada, ou que não ouviu o clamor das vítimas do potro e da polé. Os homens de memória passarão aqui. E, reparando na tabuleta a indicar o topónimo, alguns hão-de ver nela, erguido e vigilante, o facho do fanatismo a incendiar uma pira, acaso este arrepio foi a memória antiga duma língua de fogo revolto, a lamber um ventre mais trémulo.

E ainda bem que chegámos a Burgos, onde o que o ventre nos está pedindo é outro e mais consolador abalo, o reconforto do pequeno-almoço. Gaspar nunca andou por aqui, não conhece a cidade, a bem dizer quase todo o vasto mundo lhe é desconhecido, e o que mais calcorreou não vem nos mapas, muito lhe apraz esta paragem à beira das verduras do rio que a atravessa. A fronteira que passaram a salto já está longe. E, não sendo esta Espanha lugar que se recomende a clandestinos, mormente a estes que trazem às costas a sua conta de marcadas heresias, não estranhemos nós que a distância a que já estão lhes vá restituindo à-vontade e leveza de gestos, mesmo se Torquemada ficou ali atrás de atalaia. Gaspar viu as torres da catedral a investirem contra o céu cinzento, ousou pedir um quarto de hora e fazer de turista apressado, João só lembrou as premências do tempo. (Cont.)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

As Aves 4-2

Há uns ameaços de chuva na paisagem, este céu está fusco e pardacento, dava jeito aqui um sol que viesse forçar um sorriso a estes viajantes, tão sorumbáticos se mostram, basta às vezes um pequeno nada para que o mundo deixe de ser assim a preto e branco. O trânsito é escasso a esta hora matutina, e o andamento o conveniente aos mesquinhos cavalos que nos puxam, assim não venha a chuva exigir-nos cuidados acrescidos e perdas de rendimento na empreitada, ainda bem que não estamos nos meses de verão, há muito já se vai dizendo que esta é a estrada da morte dos portugueses. Passam por aqui aos milhares, e não há fiferença entre eles e as aves de arribação, que umas e outras se deslocam por idêntica bússola, encontrar um recanto assinalado na dobra duma paisagem, escolher nele uma pedra para recostar a cabeça, plantar aí as raízes da alma. É este o seu carreiro de formigas quando chega o verão, em filas que vão até ao horizonte, queixam-se as viaturas por serem às vezes velhas em demasia, e rangem ao excessivo peso, e aquecem demais ao masculino sol ibérico, e mais se queixam as crianças da sede e da falta de espaço, e do ar azedo que ferve, saturado de humores, as mulheres iam agora lamentar-se do destino que tanto demora a chegar mas falece-lhes a oportunidade, sempre a última na ordem das prioridades, que agora é a vez de se queixar este homem condutor, do suor e do cansaço, há oitocentos quilómetros que não pára, e por isso lhe descaíram as pálpebras, ou ele as deixou velar, o carro foi perdendo a direcção adequada, tão lentamente que ninguém deu por isso, tão imperceptivelmente que nenhum protesto se ouviu, entrou no desnível da berma e a roda sobrecarregada não conseguiu voltar à via, não era duma trabalheira assim que estavam precisadas estas ambulâncias da guarda civil, a galopar aos gritos na paisagem.

Mas a prometida chuva não passou dum aceno, e este não é o tempo das vacanças e seus afogadilhos. A estrada é um tapete que à nossa frente se abre, riscando ao meio a planura, e por ela deixa Gaspar discorrer a vista melancólica, esta meseta castelhana é uma terra vencida, geologicamente exausta e exaurida. O tempo suspendeu um dia as convulsões de milhões de anos que nala se adivinham e deixou este mar chão domesticado, onde a mesma ondulação estática se reproduz indefinidamente, e onde nada nos surpreende o olhar. Ficou esta paisagem torturada, que estranhas elevações interrompem a espaços, é um cenário de papel donde as próprias árvores desertaram. A custo se arrancam do chão os povoados que raramente surgem, e tudo tem a mesma cor pardacenta da terra, os telhados, os muros das casas, as janelas.(Cont.)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

As Aves 4-1

João bate á porta do quarto num gesto impaciente, é tempo de partir e Gaspar está ferrado ainda no sono da primeira manhã. Será este o melhor remedeio quando a noite assim se tresmalhou, consumida em ânsias e suores, mas isso não o sabe João, nem são contas do seu rosário. O que ele temé que atravessar a Espanha com estes dois viajantes e pô-los a recato, e ainda falta Burgos, e Miranda que vem tão longe, e mais ainda Vitória, e Tolosa, e Irun lá para o fim da tarde, que estes dias são pequenos, bem fizémos nós em esticar assim a etapa de ontem. O carro minúsculo respondeu de imediato ao aceno da chave, soube-lhe bem o repouso e não se queixa de pesadelos nocturnos, será porque nunca foi à guerra.

No meio da geral modorra matutina Gaspar vai triste, à medida que abandonam a cidade. Não tem aqui nada de seu e no entanto olha as ruas e as fachadas, olha este caminhante e aquela árvore como quem se despede. E do fundo da memória sai-lhe uma lembrança antiga, de quando ia apanhar a camioneta para o seminário, há quanto tempo isso vai e a emoção de hoje é a mesma, passamos a vida a repetir-nos. A velha Dodge amarela, antiga como a primeira das irmãs que saiu das forjas de Detroit, o inchado nariz a roncar estrondos jurássicos e o tejadilho a abarrotar de fardos e bagagens, lá ia bordejando prados e colinas pela estrada do Côa, e a Gaspar ficavam-lhe os olhos presos nas paredes das hortas, nas giestas floridas se era Abril, nos castanheiros nus, ficava-lhe uma dor agarrada às imagens da mãe girando na cozinha, às picardias dos irmãos, às cavalgadas dos cães que lhe vinham sempre à mão, quem não sabe o que isto é poderá ver, por estas lágrimas, quanto custa perder a liberdade. E agora parece que finalmente o rodar do tempo lhe vai abrindo os olhos para a realidade que está vivendo, lhe vai despertando a consciência para as rupturas a que deixou a alma exposta, e que apenas aguardam o momento de começar a sangrar. Sente o peso de quanto deixou para trás, bom ou mau é o que lhe fazia a rotineira e sossegada vida. São isto ingenuidades a que teremos que atender, o mundo seria outro se todos tivéssemos têmpera de heróis, o que será ele isso, ainda não é desta vez que lançaremos nós a primeira pedra. (Cont.)

terça-feira, 19 de novembro de 2024

As Aves 3-10

Vera razão, porém, quem a tinha eram os aviadores. Por terem feito os doutores o que sabiam e puderam fazer, não foi preciso despachar este para a metrópole nessa mesma noite, no avião da TAP, conforme estava decidido. Eram escassos os aviadores, no meio da geral penúria de armas e munições, da míngua geral de viaturas e aeronaves, da falta geral de materiais e de soldados, eram demasiado escassos os aviadores, jovens, esforçados, loucos, para calcorrear as amplidões da pátria e manter audívelna paisagem o estrondear do império, para distribuir os bate-estradas da tropa em pistas de terra que se dobravam a meio quando esbarravam na orla da mata, em pistas de terra que subiam tranquilas o declive da encosta se calhava tropeçarem numa colina, eram demasiado escassos os aviadores para arrancar à loucura geral os soldados que as emboscadas ainda não tinham dizimado, e que davam tiros nos pés que as minas ainda não tinham decepado, a ver se alcançavam lugar numa passarola pré-histórica onde não cabia a maca e o enfermeiro com o frasco de soro a pender-lhe da mão, mas que podia tirá-los dali se aterrasse sempre do mesmo lado e descolasse na direcção contrária, indiferente ao vento, indiferente à carga, para não rasgar a barriga de lona nas copas altas da floresta, que já crescia ali muitos séculos antes de haver estas manobras aéreas. Eram demasiado escassos os aviadores, e por isso há estas fardas importantes a passear no átrio das urgências, à espera duma ambulância que aí vem com um piloto acidentado, ainda por cima à hora do bridge no terraço, ainda por cima à hora do gin tónico e da brisa que sobe, fresca, da baía, e um tal zelo far-nos-ia pensar que vai chegar aí a rainha Ginga de charola, se ainda estivesse viva e se viesse curar duma crise de paludismo.

A TAP não espera, e por serem os aviadores demasiado escassos, é preciso decidir logo em cima da primeira observação médica. Razão, porém, quem a tinha eram os aviadores do norte. Os doutores lá puseram Gaspar a dormir um mês inteiro, e só depoiso manraram para Lisboa por não haver ali mais a fazer-lhe, não há nestes, como noutros casos, melhor do que deixar a vida seguir o seu natural curso, e vem a jeito lembrar a parábola do regatinho que da serra vai baixando, quem poderá impedi-lo de chegar ao mar. Credores seriam eles, de redobrada mesura e devoção, se a este pudessem os doutores ter juntado outro milagre, que era o de livrar Gaspar dos pesadelos fantásticos, febris, escuros como fundos de poços, que vieram um dia e ainda hoje assim voltam, como este espelho está mostrando, e o deixam aterrado sempre, afogado no lago negro onde o vemos a esbracejar. (Cont.)

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

As Aves 3-9

Esperaram por ele em sobressalto os companheiros, que ao longe o tinham visto desaparecer atrás da colina redonda. Sabiam ao que andava, o suficiente para lhe entenderem as manobras, deram conta de como o zumbir do motor se evaporara da infinita paisagem, e aguardaram que voltasse a aparecer do outro lado do monte. Mas ele já não veio palo seu próprio pé, e ao fim de várias horas de busca tropeçaram nele a esgrimir contra o capim altíssimo, enterrado até às partes nas lodagens dum charco onde as pacaças tomavam banhos de frescura, a cabeça disforme alagada no sangue que lhe espirrava das pálpebras em chaga, cego e alucinado, em busca dum caminho improvável.

Velaram-no toda a tarde,num estranho silêncio dolorido, atentos ao murmúrio que às vezes o agitava, um de cada vez metendo-lhe na mão as mãos que ele não desistia de agarrar, o que será que segurava. O que viam por fora não lhes deixava campo de esperança, mal sabiam eles que Gaspar não tinha partido sequer um dedo mínimo, das convulsões que lhe tomavam o peito saíam apenas vómitos de sangue, mas os próprios olhos estavam intactos, outro era o lugar das mais fundas lesões, e esse não estava à mostra. Milagre era já ele estar ali estendido no chão da viatura, ninguém sai com vida dos destroços que assim encontraram espalhados no capim, à beira do paul.

Porém este saiu, e já recuperou a razão à entrada do hospital, estendido na maca baixa, e já ouve este padre capelão a lembrar-lhe que também Deus o tem por seu filho, e que deve estar pronto a acatar o seu intangível desígnio, somos só verdes vimes que um vento verga, feita seja a vossa vontade, a minha não. Gaspar vê claramente o significado desta aparição que o fragiliza, que assim franqueia brechas na sua íntima segurança, depois da euforia animal de se descobrir vivo. Inunda-o este amargo sabor a fraude, sente-se violado por dentro, vocifera contra generais e guerras e pátrias, a sua e as restantes, mais que nunca se aferra às palavras que corriam entre os aviadores, lá no norte, se chegarmos vivos ao hospital os doutores não nos deixam morrer, na verdade o que ali lhe valeu foi perder outra vez o sentido, foi ter baixado o pano, de novo congelado o tino e a razão. (Cont.)

sábado, 2 de novembro de 2024

As Aves 3-8

E também não chegou a ver, tinha passado um ano, o contorno disforme da sua própria fachada, quando uma equipa de enfermeiros o meteu numa ambulância que buzinou desesperada pelas ruas de Luanda, ia caindo a noite, até o despejar na urgência do hospital militar. Gaspar chegava num avião que vinha do norte, estendido numa maca rasteira, a cabeça embrulhada em ligaduras que eram uma pasta de sangue a pingar-lhe dos olhos retalhados e inúteis, e o corpo inerte, forçado a hibernar por doses de morfina.

Bastava uma chuvada para trazer a fome, num destacamento que partilhava com umas dezenas de companheiros perdidos no sertão, ao lado duma sanzala miserável. Uma pista de terra que as chuvas alagavam e onde ninguém arriscava aterrar, alguns barracões de madeira roídos da formiga, o paiol das munições e uma cozinha onde os ratos faziam criação, no mastro risível do terreiro içavam às vezes a bandeira da soberania. Comeram os mangos bravos da velha picada abandonada, perderam-se em bandos no capim, de arma aperrada, sem avistarem um só dos burros do mato que deambulavam na paisagem, sem poderem despejar-lhe no bucho um carregador inteiro, a fome continuava e um dia Gaspar montou num velho avião e foi à caça.

O bicho estava no visor, partido em quatro pelo retículo, o avião ganhava altura e despenhava-se sobre ele num frenesi desesperado, alongando o focinho raivoso enquanto semeava estrondos na paisagem. As armas espirravam frenéticas e ninguém podia perceber onde iam parar as putas das balas, o bicho estava no visor e continuava aos saltos provocantes no capim, se prolongarmos aqui a picada um segundo talvez nos não escape, um só segundo e resgatamos o pundonor, mais um segundo e Gaspar sente o avião a afundar-se no capim, sente-o a pentear os arbustos com o rebordo grosso das asas, sente-o a rasgar a barriga no mato rasteiro, o bicho fugiu do visor e parou de saltar quando um trovão lhe desabou no espinhaço e o matou.

Gaspar viu também a morte que ali estava. Puxou o avião para o ar antes da viseira partida lhe ter rasgado os olhos, antes de o capacete se estilhaçar contra os ferros da carlinga, viu a morte e execrou-a num clarão de raiva, e logo se deixou inundar por uma indescritível renúncia, quase mística, quase doce, aquela morte era distinta e inelutável. Caiu sobre ele um manto escuro de aniquilamento, perdeu a consciência por força da violenta pancada na cabeça e já não assistiu à derrocada restante, nunca chegará a perceber como saiu vivo daquilo. (Cont.)