quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Passerelle

Mais que tudo, este belíssimo filme é uma passerelle onde a África oriental desfila, em todo o esplendor de faunas e paisagens. Só quem a conheceu.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Zangam-se as comadres...

Tudo começou por obra e graça deste esquerdalho, mal repeso dos velhos tempos de brasa, que criou corpo no grupo do grande feiticeiro da rua da Palma. Era uma salgalhada onde entrava a AOC, talvez fosse a UDP, seria a LCI? Era um tal que muito mais tarde haveria de prever este axioma: recusar o PEC 4 será já começar a sair da crise. Viu-se.
Hoje o esquerdalho confunde alegremente o ensaio com a literatura, amalgama na molhada o Zé Gil com o Eduardo Lourenço. Não foi autor por acaso, deus nos livre. E nunca editaria o José Rodrigues dos Santos, (esse pivot televisivo que pisca o olho!) e é de longe o escritor mais prolífico e lido em Portugal. 
Num português macarrónico, acha ele que a Balada da Praia dos Cães está ao nível do Memorial do Convento. E que o G. M. Tavares pode ajudar a chamar a atenção para a importância da obra de Agustina, tão esquecida ela anda. A imbecilidade distraída dos leitores possibilita tudo o resto.
Perante isto, Guilherme Valente, editor da Gradiva, tomou-se de brios e espingardeou. Confessa ele que "alguns (editores) trabalham hoje para os chamados grandes grupos, ou patrões, que procuram apenas o retorno financeiro dos investimentos". Diz que há devoluções dramáticas, e armazéns de livros que nem a preço de custo se venderiam. E assim vai diminuindo a diversidade na edição e na exposição, e desaparecendo os leitores. "Tudo em relação de causalidade implicante com a redução dos níveis de leitura - na universidade quase não se lê. Devido em parte, mas sobretudo à devastação educativa dos últimos 40 anos, em que não foi construída a escola que nunca tivemos, para enfrentar o que neste mundo novo foi afastando os jovens - e os adultos agora, até, digamos, 50 anos - do interesse pelo conhecimento e, logo, pela leitura" .
Olhando em frente (ou atrás), no panorama literário português recorda ele Redol, Abelaira, Rodrigues Miguéis e Camilo. Apostaria mesmo Eça.
Não te ponhas tu a pau, leitor, e depois queixa-te!

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Dá-me música!


Jorge de Sena, Camões e outros exilados

 
(Cont.)
 "Isto não sucedeu só agora, e não é senão repetição de outros momentos da nossa história sempre repetida entre o anseio de uma liberdade que ultrapassa os limites da liberdade possível e o desejo de ter-se um pai transcendente que nos livre de tomar decisões ou de assumir responsabilidades, seja ele um homem, um partido ou D. Sebastião. (...)
Sejamos francos e brutais. Há neste momento milhões de portugueses dispersos pelo mundo em mais de um continente, e não só na Europa de que são mão-de-obra. O país pensa neles e deseja recordar-se deles. Mas o país, na situação económica em que se encontra e toda a gente sabe desastrosa, não pode prescindir do dinheiro deles, ou do dinheiro que eles costumam enviar para a santa terrinha (...). Há quem diga e quem pense que celebrações como esta são uma compensação para a perda ou derrocada do império oferecida ao sentimento popular, e que isso das Comunidades é mesmo ainda pior: uma ideia do fascismo. (...) O celebrar-se no presente e no passado em sua gente, o homenagear essa gente e recordá-la aonde quer que viva ou tenha vivido, é um imperativo imarcessível da dignidade humana, num dos aspectos que a representa: o pertencer-se directa ou indirectamente a um povo, uma história, uma cultura que foi, é e será capaz de diversificar-se em outras. (...)
Pensarão alguns, acreditando no que se fez do pobre Camões durante séculos que celebrá-lo, ou meditá-lo e lê-lo é prestar homenagem a um reacionário horrível, um cantor de imperialismos nefandos, a um espírito preso à estreiteza mais tradicionalista da religião católica. Camões não tem culpa de ter vivido quando a Inquisição e a censura se instituíam todas poderosas (...) Camões não tem também culpa de ter sido transformado em símbolo dos orgulhos nacionais em diversos momentos da nossa história em que esse orgulho se viu deprimido e abatido. Claro que esse aproveitamento não teria sido possível se ele não  tivesse escrito Os Lusíadas. (...) E o ter sido usado, manipulado e treslido como Camões o foi é um dos preços que a grandeza paga neste mundo. " (Pág. 280).


domingo, 10 de setembro de 2017

Hermenêuticas

"Tanto do meu estado me acho incerto
Que em vivo ardor tremendo estou de frio."
[Lírica de Camões]
Leitura de qualquer cafre: o poeta está com uma aguda crise de paludismo! Quem o contraditará?

sábado, 9 de setembro de 2017

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

La Folia