quinta-feira, 3 de março de 2016

Olha-m'uma!

Depois que foi corrida de ministra, a loira dos SWAP's mudou de cadeirão: baixou a deputada da seita do PPD, pois de quem mais?! E enquanto infla os balões de hélio, vai governando a vidinha, pelos manuais da casa.
É directora não executiva, conselheira, agenciadora, será facilitadora, duma empresa de chacais, desses que especulam com as dívidas públicas. E as privadas. E as da banca. E todas elas.
Sempre finos, os ingleses, há séculos que aprenderam a guardar os portões lá da reserva com cães de fila treinados e fiéis.
Os totós dos eleitores vão na onda. E as incompatibilidades?! As éticas e as morais não existem, já se viu. E as legais logo se vê!

quarta-feira, 2 de março de 2016

São fadários, são heranças?...

A velhota ganhou corpo em Rocamonde, há um século atrás. E antes de granjear espiga levaram-na para o Brasil, a rendilhar uma vida. Tem por lá filhos, tem netos, tem saudades e lembranças e um tempo que já passou.
Mas há uma redondilha que resiste, que atravessou o mar e foi com ela, só se lembra do refrão. Era a que o avô cantava à sua vaidosa avó ruborizada. Já não se lembra das voltas nem da melodia. Mas está à espera que os netos lha cantem quando fizer anos, e apagar cem velas, para morrer em paz. 
Vou ter que andar à procura, com uma candeia na mão! Em Rocamonde, que nem sei bem onde está.

terça-feira, 1 de março de 2016

Missões de salvamento e notícias delas

Este foi o comunicado da FA sobre a missão. E este o eco recortável na imprensa a tal propósito. 
Eu sei que mete esses tipos da tropa, claro, que andam muito atarefados a construir hotéis ao lado duma basílica! Sei isso muito bem! 
Conviria só que a futricada dos media tivesse algum decoro, ao cantar-nos cantiguinhas de embalar (minutos 16 a 31)

Riscos

Desta vez é o Conselho das Finanças Públicas, essa tertúlia de pardas eminências, a chamar-nos a atenção. Que o orçamento do Costa é optimista, é folgazão, tem uma passada larga e faz incorrer em riscos a pobre da nação.
Já tínhamos ouvido o mesmo ao Eurogrupo, à Comissão, a Bruxelas inteira, ao alemão, ao triste Passos e à sua coligação, à imprensa escrita e à televisão. Sobre os riscos relevantes do orçamento do Costa, que até parece um papão.
E qual é o orçamento que os não corre, num mundo em tamanha convulsão, não nos dirão?! Vão todos pentear macacos ao jardim, se curto e grosso não preferimos dizer vão-se foder!

Milagre e Dulce

Com usufruto ao meu amigo Esperança, que não sabe onde é a Angónia mas penou lá perto.

O Milagre tinha mais fé na Senhora da Saúde, e na caçadeira que tinha lá em casa, do que em milagres propriamente ditos. Mas houve um em que chegou a acreditar. Foi quando um parente vago o chamou de muito longe, para ir para a Angónia governar a vida. O Milagre até ficou entusiasmado. 
E lá vivia, à beira duma picada que atravessava a fronteira, numa cantina do mato em que comprava e vendia. Mas faltou-lhe uma mulher, e a Dulce foi ter com ele. Era branca, era macia, e tinha os lábios carnudos duma cereja vermelha. Quem se perdia a mirá-la eram uns pretos que passavam, e embasbacados ficavam. De horas em quando o Milagre tomava-se de razões, de ciumeiras. Mas encontrou solução: ia por trás, de varapau nas unhas, e abria fontes vermelhas nas carapinhas.
Um dia tudo mudou. Vieram ventos de raiva, muito antigos, vieram tiros de longe, do sertão, e más notícias duma rebelião. Era o mundo que ruía. O barulho dos canhões aproximou-se, da janela já se ouvia, e o Milagre resistia. Porque o mundo endoidecia.
Até que se tornou tarde demais, quando o Milagre se viu no meio do terreiro, atado ao tronco da mangueira grande. E lá ficou três dias amarrado, quem lhe valia era a Dulce, que o ia ver, lacrimosa.
Um dia os pretos retiraram-no da cruz e sete vezes lhe cuspiram aos pés. Depois daquilo mandaram-no embora e ele foi. Levado pela mão da Dulce, que o mundo só começou a valer quando a Eva entrou no paraíso.

A história dos índios e da lenha

Que é parecida à nossa vida! 

Solstício

 O solstício de Inverno vai dormir às Sete Pipas, lá para Sul. Chega cansado, coitado, mal aparece perdido em tais lonjuras. Diz-se que já por lá se perderam marinheiros, quem o sabe...
Um dia acorda e põe-se a regressar, bom filho que a casa torna e volta a Ítaca. Deixa atrás a Cruz de Pedra, e ao chegar À-do-Cavalo muda o nome. É o equinócio e sorri. E nós com ele.
Mas só descansa no castro de Casteição, onde já voltou a ser o solstício de Verão, Anda aí pelas romarias, baila com as moças, se calha. Vai às vinhas que há na terra quente, leva um pipo e vai-se embora. Vem e vai, sempre a hesitar. Há milénios que ele passa a vida nisto e nós também!