sexta-feira, 1 de abril de 2016

O soneto e as emendas

Esta cabra foi Secretária de Estado da Defesa dum governo de assaltantes (do ministro Aguiar-Branco, vejam só!) e vice-presidente da bancada parlamentar do PPD. Ajudou a arruinar o património humano e material das FA portuguesas. 
Depois disso acabou nisto e mais naquilo.
Foda-se lá o soneto, e mais as emendas dele!

Fariseus falsários

O Eurogrupo e o FMI e tutti quanti, andam aí esfalfados, com avisos ao governo português. Porque não, porque talvez, os riscos são arriscados, e reclamam medidas de compensação orçamental. Mas porém, nos espanhóis...
Ó falsários fariseus! Vão mas é apanhar nos entrefolhos! Quer dizer, levar no cu!

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Passo a compras nos mosqueteiros, que é uma coisa popular e cheia de novidades: mamão que vem do Brasil a 4, e cocos secos da Costa do Marfim; romãs de Israel a 5; uvas brancas do Peru em promoção a 2; ameixas a 4, da Sul-África; do Chile as nectarias a 4, e uns pêssegos a 4,5; mangas do Brasil a 3; melões da Costa Rica a 2,5; uns abacaxis do Panamá; bananas da Costa Rica; melancias dos sertões do Mato Grosso...
- Serão ele etiquetas a fingir?! -  diz-me a voz da busca e salvamento, para situações de emergência. 
Levo iogurtes naturais de marca branca, cobiçando uns coelhinhos pascais que alguém passa no visor.

Doutor calão

Num tempo antigo, acontecia a um estudante calão. Incorria em prescrição. Lá tinha que ir de Coimbra para Lisboa, é um supor, para chegar a ser doutor.
Porém o Relvas, agora, que é um facilitador, tem a calonice a seu favor. Por prescrição, acaba por ser doutor.
Só por um milagre qualquer isto entra na cabeça a um cidadão. Ou não?!

Cu da Guarda

O relance faz lembrar a anatomia dum crente, atento a Meca em momento de oração. Veio um vento e arrebatou-lhe a jilaba. Mas é só o Cu da Guarda, uma gárgula insolente da sé catedral voltada para Castela. Um barrista recriou-a, anda aí nas montras da cidade.
Esgotadas as manufacturas tradicionais da lã da Serra, deslocalizada alguma indústria existente, perdida a Universidade para a Covilhã e Viseu, e fechado o ciclo da teologia com o seminário maior, caiu a Guarda numa decadência de que dificilmente sairá.
A ela conduziram os últimos anos da gestão autárquica do PS, exercida por ineptos ou submissos cúmplices, dominados por seguristas, manobristas e aparelhistas inúteis. Se pensarmos que foi por essa fissura que chegou à Guarda a gestão camarária duns paraquedistas da propaganda estéril - bem! melhor é não fazer contas nenhumas nem acalentar projectos! As luzes do Natal que se apagaram, os jardins enfeitados de pinóquios de neves de esferovite, a feira popular da Praça Velha, os planos de cobrir o céu da Rua do Comércio, o quarteirão das artes, os cedros da Salamanca, o novo rotundismo de arte pública... é um festival de empenhadíssima cultura e criatividade.***
Entretanto...
- Os passeios e pavimentos de ruas são uma desgraça perigosa, desde há muito. 
- O TMG, que é indispensável à cidade, são dois cubos de cimento cru e vidro; sem comunicação entre eles; lado a lado, formam um conjunto espúrio e disfuncional, povoado de escadarias; e saiu dum pesadelo de arquitecto pós-moderno, de olhos em bico na contemporaneidade e no futuro; o resto serão cuidados dos seus frequentadores, uns toscos. Tudo isto sem um projecto de animação coerente.
- A Praça Velha foi requalificada, é o que lá está e dispensa comentário, com o velho Sancho agarimado num canto.
- O centro Vivaci, que mudou de nome, é uma aberração de 8 pisos a funcionar sobre escadas rolantes. E tapou cem metros da muralha antiga, num desplante inusitado.
Hoje a Guarda exibe o Cu da Guarda mais a História, e a decadência que a cobre.
***Noventa e dois mil euros é quanto vai custar a "estátua" decorativa da rotunda do Diz. Fora o que escorre, para outros cinco projectos de rotundas. Benz'ós Deus e a nós também! 

Quando dispuseres duma horita

Vai aqui ver uma coisa bonita! Triste e muito lastimosa, mas lá vamos, lá chegaremos um dia. É o que se diz!

A horta e a professora

Passei a manhã na horta em tarefas de emergência. A horta ficou contente. Mas já sabe que perdeu esta batalha (a do tempo e da energia) com a escrita e a leitura, a caminhada e a vida. Que num mundo organizado há precedências e prioridades.
E à tarde tinha que ouvir, na biblioteca, uma palestra sobre o Herberto Helder ou o poema contínuo, apresentada por uma professora duma universidade a sério.
É benesse dum leitor ouvir falar de poemas a quem deles muito sabe, e não improvisa à pressa, e cultivou a dicção. Mesmo quando se debruça sobre aspectos que mais dizem respeito aos mestres de carreira que ao leitor.
A professora concedeu que tínhamos na mão um poeta difícil. Por oposição a outros que não são menos poetas, apenas menos herméticos. Sublinhou que uma correcta leitura é uma chave do leitor. A pausa certa, a correcta marcação, o andamento, a pauta das harmonias e da musicalidade presente no poema...
E confessou os segredos da abordagem pelo leitor, nestas palavras que um mestre há anos recomendou: - "Pega num livro do Herberto, abre-o ao acaso e poisa o olhar num verso. Pára, escuta e olha. Lê-o e vê o que acontece. Pode acontecer logo. Ou não. De qualquer forma, e para teu bem, espero que não seja necessário repetir essa operação mais do que duas ou três vezes. Porque vais sentir uma enorme necessidade de continuar ou de (re)começar a ler". 
Eu nunca tive um mestre que me falasse assim. Se pudesse vir aqui, ouvir contar dos segredos que vivem na poesia, mesmo a horta me entendia!