quinta-feira, 12 de junho de 2008

Fragmentos do caos - 2

- A zona de Lisboa dispõe duma densidade de 220 Km de auto-estrada por 1000 km2.

- Em toda a Europa, pobre ou rica, só uma única região possui densidade superior a 100 Km.

- Entre 1991 e 2001, Portugal fechou 300 km de ferrovias.

- No mesmo período, Portugal era o 4º país da Europa a 25, com mais carros particulares por 1000 habitantes.

- Na década de 80, o transporte ferroviário de passageiros de longo curso foi deliberadamente arruinado, em favor do transporte rodoviário privado.

- Dos 2839 Km de rede ferroviária em exploração, só 50% estão electrificados.

- Em Portugal, 93% do transporte de mercadorias é actualmente feito através da rodovia.

- Grosso modo, entre 1986 e 1995, o país foi dirigido pela competência do PSD e do cavaquismo. Entre 1995 e 2002, foi-o pela do PS. Depois disso é o que se sabe.

Fragmentos do caos - 1

- Cerca de 6% da população do planeta (os EUA) consomem 25% da energia mundial disponível.

- Só as Forças Armadas americanas consomem diariamente o mesmo que Portugal inteiro.

- Entre 2001 e 2007, ruído o muro de Berlim desde 1989, as despesas militares dos EUA cresceram 59%.

- Para toda a população do planeta consumir energia à americana, seriam necessários todos os recursos de 6 planetas Terra.

- Os recursos energéticos da única Terra que existe não bastam para responder à procura das sociedades emergentes, mormente de dois biliões e meio de chineses e indianos que acedem ao consumo.

- Um bilião de chineses transformados em fábrica do planeta, eis o cenário absurdo que nos é dado como paisagem.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Ecos da Sonora III

Ainda Ruben A., O Mundo à Minha Procura I, 1966.

(...) Porquê? Pela pesporrência que existe em esferas políticas e também em sociedade, onde as pessoas que não falam em arte se julgam diminuídas perante o mundo. Para se viver em arte é preciso pelo menos uma vida, não se improvisam artistas como não se improvisam engenheiros ou médicos. O charlatão tanto é o falso médico preso por exercício ilegal de profissão, como o falso artista por ter responsabilidade moral no gosto que impinge ao público. (...)
No mesquinho, somos geniais, e custa-nos muito confessar que de determinado assunto não sabemos nada. O mal nacional é que se arranha sempre qualquer coisa e assim vive-se inchado à superfície dos problemas passando gestos radicais, como os que fazia Pacheco nas páginas imortais do Eça. O português ainda não compreendeu que não se inferioriza dizendo que não sabe. (...)

Mutatis mutandis não mudámos!

Haiku



Wilder Gienster blueht.
Doch die Bienen meiden ihn
Ausser wenn verschnupft.
(autor japonês não identificado)


Floresce a giesta negral.
Mas as abelhas evitam-na
Salvo quando constipadas.
(tradução caseira)

terça-feira, 10 de junho de 2008

O eclipse da razão

Enquanto as elites dirigentes insistirem, no presente, em considerar glorioso um passado que foi uma traição, Portugal repisará equívocos e não achará futuro.
E o povo emigra outra vez. Faz das tripas coração, é o que aprendeu a fazer!

Deslocalização

Um dia alguém disse na América, e dito na América tem outro valor, que o Vasco da Gama tinha sido o pai da globalização. Talvez fosse mesmo o avô da Internet.
O que não disseram, e foi por ser verdade, é que Portugal foi o pioneiro da deslocalização. Deslocalizaram-lhe a alma, há muitos anos, para o golfo de Bengala. Tal como hoje, alguns ganharam com isso, a nação é que perdeu.
Hoje celebra-se-lhe a raça. Bate-se à porta que sempre foi a sua, e ninguém vem abrir.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Salamaleques

Falo por mim, tiro o resto pelo sentido.
O banco trata-me por senhor doutor. Outros sobem a parada, põem-me galões ao ombro, derreiam-me o peito com medalhas de lata. O arrumador titula-me engenheiro. E só amigos me tratam pelo que sou, um cidadão assaz irrelevante.
- Não vem daí mal ao mundo! - opinam os distraídos.
E ao mundo não virá, mas a nós vem. Que faz de nós figuras num teatro, e da vida real uma encenação.
Vista por um estranho, a nossa gramática das fórmulas de tratamento mais parece uma charada. Podia ser a marca dum requinte. E afinal é tudo manha, em troca dum favorzinho.