- A zona de Lisboa dispõe duma densidade de 220 Km de auto-estrada por 1000 km2.
- Em toda a Europa, pobre ou rica, só uma única região possui densidade superior a 100 Km.
- Entre 1991 e 2001, Portugal fechou 300 km de ferrovias.
- No mesmo período, Portugal era o 4º país da Europa a 25, com mais carros particulares por 1000 habitantes.
- Na década de 80, o transporte ferroviário de passageiros de longo curso foi deliberadamente arruinado, em favor do transporte rodoviário privado.
- Dos 2839 Km de rede ferroviária em exploração, só 50% estão electrificados.
- Em Portugal, 93% do transporte de mercadorias é actualmente feito através da rodovia.
- Grosso modo, entre 1986 e 1995, o país foi dirigido pela competência do PSD e do cavaquismo. Entre 1995 e 2002, foi-o pela do PS. Depois disso é o que se sabe.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Fragmentos do caos - 1
- Cerca de 6% da população do planeta (os EUA) consomem 25% da energia mundial disponível.
- Só as Forças Armadas americanas consomem diariamente o mesmo que Portugal inteiro.
- Entre 2001 e 2007, ruído o muro de Berlim desde 1989, as despesas militares dos EUA cresceram 59%.
- Para toda a população do planeta consumir energia à americana, seriam necessários todos os recursos de 6 planetas Terra.
- Os recursos energéticos da única Terra que existe não bastam para responder à procura das sociedades emergentes, mormente de dois biliões e meio de chineses e indianos que acedem ao consumo.
- Um bilião de chineses transformados em fábrica do planeta, eis o cenário absurdo que nos é dado como paisagem.
- Só as Forças Armadas americanas consomem diariamente o mesmo que Portugal inteiro.
- Entre 2001 e 2007, ruído o muro de Berlim desde 1989, as despesas militares dos EUA cresceram 59%.
- Para toda a população do planeta consumir energia à americana, seriam necessários todos os recursos de 6 planetas Terra.
- Os recursos energéticos da única Terra que existe não bastam para responder à procura das sociedades emergentes, mormente de dois biliões e meio de chineses e indianos que acedem ao consumo.
- Um bilião de chineses transformados em fábrica do planeta, eis o cenário absurdo que nos é dado como paisagem.
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Ecos da Sonora III
Ainda Ruben A., O Mundo à Minha Procura I, 1966.
(...) Porquê? Pela pesporrência que existe em esferas políticas e também em sociedade, onde as pessoas que não falam em arte se julgam diminuídas perante o mundo. Para se viver em arte é preciso pelo menos uma vida, não se improvisam artistas como não se improvisam engenheiros ou médicos. O charlatão tanto é o falso médico preso por exercício ilegal de profissão, como o falso artista por ter responsabilidade moral no gosto que impinge ao público. (...)
No mesquinho, somos geniais, e custa-nos muito confessar que de determinado assunto não sabemos nada. O mal nacional é que se arranha sempre qualquer coisa e assim vive-se inchado à superfície dos problemas passando gestos radicais, como os que fazia Pacheco nas páginas imortais do Eça. O português ainda não compreendeu que não se inferioriza dizendo que não sabe. (...)
Mutatis mutandis não mudámos!
(...) Porquê? Pela pesporrência que existe em esferas políticas e também em sociedade, onde as pessoas que não falam em arte se julgam diminuídas perante o mundo. Para se viver em arte é preciso pelo menos uma vida, não se improvisam artistas como não se improvisam engenheiros ou médicos. O charlatão tanto é o falso médico preso por exercício ilegal de profissão, como o falso artista por ter responsabilidade moral no gosto que impinge ao público. (...)
No mesquinho, somos geniais, e custa-nos muito confessar que de determinado assunto não sabemos nada. O mal nacional é que se arranha sempre qualquer coisa e assim vive-se inchado à superfície dos problemas passando gestos radicais, como os que fazia Pacheco nas páginas imortais do Eça. O português ainda não compreendeu que não se inferioriza dizendo que não sabe. (...)
Mutatis mutandis não mudámos!
Haiku
terça-feira, 10 de junho de 2008
O eclipse da razão
Enquanto as elites dirigentes insistirem, no presente, em considerar glorioso um passado que foi uma traição, Portugal repisará equívocos e não achará futuro.
E o povo emigra outra vez. Faz das tripas coração, é o que aprendeu a fazer!
E o povo emigra outra vez. Faz das tripas coração, é o que aprendeu a fazer!
Deslocalização
Um dia alguém disse na América, e dito na América tem outro valor, que o Vasco da Gama tinha sido o pai da globalização. Talvez fosse mesmo o avô da Internet.
O que não disseram, e foi por ser verdade, é que Portugal foi o pioneiro da deslocalização. Deslocalizaram-lhe a alma, há muitos anos, para o golfo de Bengala. Tal como hoje, alguns ganharam com isso, a nação é que perdeu.
Hoje celebra-se-lhe a raça. Bate-se à porta que sempre foi a sua, e ninguém vem abrir.
O que não disseram, e foi por ser verdade, é que Portugal foi o pioneiro da deslocalização. Deslocalizaram-lhe a alma, há muitos anos, para o golfo de Bengala. Tal como hoje, alguns ganharam com isso, a nação é que perdeu.
Hoje celebra-se-lhe a raça. Bate-se à porta que sempre foi a sua, e ninguém vem abrir.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Salamaleques
Falo por mim, tiro o resto pelo sentido.
O banco trata-me por senhor doutor. Outros sobem a parada, põem-me galões ao ombro, derreiam-me o peito com medalhas de lata. O arrumador titula-me engenheiro. E só amigos me tratam pelo que sou, um cidadão assaz irrelevante.
- Não vem daí mal ao mundo! - opinam os distraídos.
E ao mundo não virá, mas a nós vem. Que faz de nós figuras num teatro, e da vida real uma encenação.
Vista por um estranho, a nossa gramática das fórmulas de tratamento mais parece uma charada. Podia ser a marca dum requinte. E afinal é tudo manha, em troca dum favorzinho.
O banco trata-me por senhor doutor. Outros sobem a parada, põem-me galões ao ombro, derreiam-me o peito com medalhas de lata. O arrumador titula-me engenheiro. E só amigos me tratam pelo que sou, um cidadão assaz irrelevante.
- Não vem daí mal ao mundo! - opinam os distraídos.
E ao mundo não virá, mas a nós vem. Que faz de nós figuras num teatro, e da vida real uma encenação.
Vista por um estranho, a nossa gramática das fórmulas de tratamento mais parece uma charada. Podia ser a marca dum requinte. E afinal é tudo manha, em troca dum favorzinho.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
