Não se livra da fama, nem provavelmente do proveito, de ser o longo braço do comité central do PCP no movimento sindical. Nas empresas e serviços públicos, claro! Mas o mais certo é serem isto "vozes da reacção". Em qualquer caso, evitemos equívocos e dissipemos dúvidas, com este conselho pro bono a Arménio Carlos.
- Vais até Sampetersburgo, lá perguntas onde são os portões do Palácio de Inverno, derretes aquela merda toda e recomeças tudo outra vez. Ficas definitiva e positivamente na história, antes que nela ocupes lugar cativo por indecente e má figura. E farás grande favor ao país que ainda tem trabalho e te alimenta os vícios.
A ver se te passam umas febres de incendiário que apanhaste p'raí!
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Será o auto-da-fé dos 30% de professores sem qualidade para o serem?!
No final do Verão de 2010, o Nogueira dos bigodes, esse Cesarão das Gálias, levou ao tapete a Ministra Sinistra de José Sócrates. Desceu em triunfo a Liberdade, como quem chega de Alésia, à frente de legiões de professores que recusavam qualquer forma de avaliação, enquanto reclamavam a cabeça do seu Vercingetórix.
Na sua campanha alegre, arrasou os trabalhos duma ministra-sinistra, desviou o voto de 200 mil profes, e acabou a pendurar os restos do Ministério na botoeira do Crato. A mando do seu comité central.
Depressa o tiro lhe saiu pela culatra. A ele e aos professores, que acabaram no açougue, com as perninhas atadas num barbante. Mas o servicinho estava feito, o comité central satisfeitíssimo com o Sócrates na rua e o ilustre Relvas no altar. E o prémio suplementar de 5% de ganhos eleitorais.
Depois disso, em modo silencioso, dedicou-se às providências cautelares, para cumprir calendário. E ei-lo que já ressurgiu, a apregoar urgentes "cremações"!
Na sua campanha alegre, arrasou os trabalhos duma ministra-sinistra, desviou o voto de 200 mil profes, e acabou a pendurar os restos do Ministério na botoeira do Crato. A mando do seu comité central.
Depressa o tiro lhe saiu pela culatra. A ele e aos professores, que acabaram no açougue, com as perninhas atadas num barbante. Mas o servicinho estava feito, o comité central satisfeitíssimo com o Sócrates na rua e o ilustre Relvas no altar. E o prémio suplementar de 5% de ganhos eleitorais.
Depois disso, em modo silencioso, dedicou-se às providências cautelares, para cumprir calendário. E ei-lo que já ressurgiu, a apregoar urgentes "cremações"!
Podia ser um fruto da nouvelle cuisine que as nossas elites decadentes cozinham hoje em dia!
Infelizmente não é!
Desgraçadamente é prato antigo e requentado!
Tragicamente arrastamos ao lombo, há séculos, espantalhos assim, sem termos consciência disso, tantos de nós!
Phoska-se, que somos cá dum calibre!!!
Desgraçadamente é prato antigo e requentado!
Tragicamente arrastamos ao lombo, há séculos, espantalhos assim, sem termos consciência disso, tantos de nós!
Phoska-se, que somos cá dum calibre!!!
Há quarenta anos era assim que os meninos iam para a cama!
Antes de serem comidos ao pequeno almoço pelos comunistas, num país que já não existe.
Este mundo é tão bonito, quando as priminhas todas se dão bem!
Diz a Amnistia Internacional que este ano já vai em 150 o número de condenados à decapitação na Saudi-Arábia, por delito de opinião religiosa.
Na América, o dono do Facebook escreve uma carta linda à filha recém-nascida, a doar 99% da sua riqueza para tornar este mundo um lugar melhor e mais saudável.
Ah! A Nato alargou ao Montenegro o seu manto protector dos desvalidos. É uma esperança luminosa!
Lá em baixo, às margens da lagoa, nos ramos do salgueiro uns corvos grasnam, zangados. Será do frio nas patas, os palermas!
Na América, o dono do Facebook escreve uma carta linda à filha recém-nascida, a doar 99% da sua riqueza para tornar este mundo um lugar melhor e mais saudável.
Ah! A Nato alargou ao Montenegro o seu manto protector dos desvalidos. É uma esperança luminosa!
Lá em baixo, às margens da lagoa, nos ramos do salgueiro uns corvos grasnam, zangados. Será do frio nas patas, os palermas!
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Declaração de amor à poesia
Livro de reclamações
Nunca percebi bem porque é que a noite
como qualquer outro espaço em que pessoas
ora se dfivertem, ora (se) consomem,
não tem livro de reclamações.
Não que eu seja - longe disso - um desses sujeitos
sempre zangados com a sua própria sombra
que só sabem dizer : é uma vergonha. pá!,
e mandam vir o livro por tudo e por nada,
e têm o fel fácil,
e se comprazem a borrifar com ele
meia dúzia de frases de desforço, julgando talvez que alguém as lê.
Não sou.
Mas certas noites, caramba, são tão cheias
de estampidos, que apetece pedir
o livro que não há e lavrar nele
protestos, libelos, gritos
de alma magoados.
Ou, em alternativa, pingar nele
as três ou quatro gotas
dum poema com suas lantejoulas -
- que é, como se sabe, a menos idónea,
a menos funcional e a menos lucrativa
modalidade de reclamação
(embora seja aquela em que, estupidamente,
temos mais fé).
[A.M.Pires Cabral, A noite em que a noite ardeu, Cotovia]
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