A ser verdade o que aqui se diz, engole-se urbanamente o que ali foi sugerido.
O Relvas arrepia menos. Mas troglodita é na mesma.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
É só clicar!
E ler o post.
Depois clicar no boneco, e ler o texto.
Se resistires a lê-lo uma segunda vez... não mereces o pão que comes.
Depois clicar no boneco, e ler o texto.
Se resistires a lê-lo uma segunda vez... não mereces o pão que comes.
domingo, 4 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Manuel Laranjeira, uff!!!
[Considerações de há 100 anos. Por muito pouco eram de hoje.]
(...)
"Um dia a Europa despertou com uma insaciável febre de liberdade. De França soprava um vento áspero que demolia as velhas sociedades. Era preciso reconstituir desde os alicerces, sociedades novas com um espírito novo. Subvertia-se um mundo e um mundo surgiu. Começava a era dos direitos humanos.
Portugal foi convulsionado por essa rajada transformadora de redenção humana - e também teve um código de povo livre.
Simplesmente refazer uma sociedade inteira em bases novas não podia ser obra de um dia. (...) E enquanto lá fora os povos se remodelavam, assimilando os novos ideais, criando um espírito novo, progredindo enfim, em Portugal a polilha daninha e parasitária começava, às escondidas, surdamente, a sua obra de devastação. Era preciso educar o povo, criar nele um novo espírito nacional, uma consciência moral nova, uma vontade colectiva capaz de impor-se na hora trágica da falência; era preciso adaptá-lo aos novos ideais do espírito moderno, transformá-lo numa sociedade livre e consciente. Era preciso, sobre as ruínas e destroços da alma antiga, construir uma nova alma portuguesa.
E que se fez?
Os homens que muito sinceramente tentavam educar e refundir a sociedade portuguesa eram sistematicamente relegados para o esquecimento, votados a um ostracismo criminoso. Cansados de lutar esterilmente, morriam, isolados, inutilizados, descrentes. Triunfavam os sem vergonha, os sem escrúpulos, os que tinham por princípio de moral - viver a vida sem ideal.
E o povo continuava na mesma estagnada ignorância, na mesma sofredora passividade. Para ele, a liberdade, todos os direitos do homem, continuavam a consubstanciar-se nesta palavra - obedecer. Deram-lhe liberdade, oh! fartaram-no de liberdade. Tão somente não o ensinaram a estimá-la e a defendê-la. (...)
Portugal ia cobrindo o seu espírito antigo, imóvel, adormecido, com as aparências do espírito moderno. Copiou-se o exterior da civilização: apresentávamos o aspecto de povo civilizado. No fundo éramos um povo ignorante, obediente, que a polilha ia impiedosamente desagregando.
E, de sofisma em sofisma, de ficção em ficção, de mentira em mentira, o nosso mal foi-se agravando até chegarmos a esta situação intolerável e quase degradante.
Foi assim que a Nação adoeceu. (...)
O remédio?
Mas o próprio mal está dizendo qual ele deva ser. É preciso começar desde o princípio. Desde o princípio. É preciso refazer tudo (...) A tarefa é árdua, trabalhosa, dolorosa, e demanda rios de energia perseverante. Mas é preciso empreendê-la, sob pena de nos vermos morrer ingloriosamente, indignamente, relesmente, com o desprezo dos outros - e de nós mesmos. (...)
Não nos iludamos. Ou nos salvamos nós, ou ninguém nos salva. (...) A experiência da nossa salvação messiânica está tristemente feita. O messianismo em Portugal fez as suas provas e faliu.
Os que tinham verdadeira envergadura messiânica morreram abandonados, desiludidos, aborrecendo os homens e a vida. Os outros, os messias de quadrilha, esses têm um ventre esfíngico e mais difícil de saciar do que o ventre misterioso das nações vivas, quando andam à caça das nações mortas para as devorar."
(...)
"Um dia a Europa despertou com uma insaciável febre de liberdade. De França soprava um vento áspero que demolia as velhas sociedades. Era preciso reconstituir desde os alicerces, sociedades novas com um espírito novo. Subvertia-se um mundo e um mundo surgiu. Começava a era dos direitos humanos.
Portugal foi convulsionado por essa rajada transformadora de redenção humana - e também teve um código de povo livre.
Simplesmente refazer uma sociedade inteira em bases novas não podia ser obra de um dia. (...) E enquanto lá fora os povos se remodelavam, assimilando os novos ideais, criando um espírito novo, progredindo enfim, em Portugal a polilha daninha e parasitária começava, às escondidas, surdamente, a sua obra de devastação. Era preciso educar o povo, criar nele um novo espírito nacional, uma consciência moral nova, uma vontade colectiva capaz de impor-se na hora trágica da falência; era preciso adaptá-lo aos novos ideais do espírito moderno, transformá-lo numa sociedade livre e consciente. Era preciso, sobre as ruínas e destroços da alma antiga, construir uma nova alma portuguesa.
E que se fez?
Os homens que muito sinceramente tentavam educar e refundir a sociedade portuguesa eram sistematicamente relegados para o esquecimento, votados a um ostracismo criminoso. Cansados de lutar esterilmente, morriam, isolados, inutilizados, descrentes. Triunfavam os sem vergonha, os sem escrúpulos, os que tinham por princípio de moral - viver a vida sem ideal.
E o povo continuava na mesma estagnada ignorância, na mesma sofredora passividade. Para ele, a liberdade, todos os direitos do homem, continuavam a consubstanciar-se nesta palavra - obedecer. Deram-lhe liberdade, oh! fartaram-no de liberdade. Tão somente não o ensinaram a estimá-la e a defendê-la. (...)
Portugal ia cobrindo o seu espírito antigo, imóvel, adormecido, com as aparências do espírito moderno. Copiou-se o exterior da civilização: apresentávamos o aspecto de povo civilizado. No fundo éramos um povo ignorante, obediente, que a polilha ia impiedosamente desagregando.
E, de sofisma em sofisma, de ficção em ficção, de mentira em mentira, o nosso mal foi-se agravando até chegarmos a esta situação intolerável e quase degradante.
Foi assim que a Nação adoeceu. (...)
O remédio?
Mas o próprio mal está dizendo qual ele deva ser. É preciso começar desde o princípio. Desde o princípio. É preciso refazer tudo (...) A tarefa é árdua, trabalhosa, dolorosa, e demanda rios de energia perseverante. Mas é preciso empreendê-la, sob pena de nos vermos morrer ingloriosamente, indignamente, relesmente, com o desprezo dos outros - e de nós mesmos. (...)
Não nos iludamos. Ou nos salvamos nós, ou ninguém nos salva. (...) A experiência da nossa salvação messiânica está tristemente feita. O messianismo em Portugal fez as suas provas e faliu.
Os que tinham verdadeira envergadura messiânica morreram abandonados, desiludidos, aborrecendo os homens e a vida. Os outros, os messias de quadrilha, esses têm um ventre esfíngico e mais difícil de saciar do que o ventre misterioso das nações vivas, quando andam à caça das nações mortas para as devorar."
Manuel Laranjeira - Cont. 3
(...)
"Em suma, na imensa maioria da sociedade portuguesa não se formou um carácter cívico em harmonia com a vida moderna e fez-se todo o possível para destruir o carácter cívico antigo. Desta deficiência educativa, o sentimento de vida nacional não evoluiu normalmente e resulta um sentimento, desvirtuado em parte, em parte incompleto.
Por outro lado, uma parte, mínima é certo, da sociedade portuguesa apresenta um avanço educativo relativamente acentuado, vindo deste modo acusar mais exagerada e nitidamente a desarmonia mental e afectiva da nacionalidade. (...)
Bastará tão somente constatar que em Portugal todas as questões de interesse nacional eram encaradas como questões mínimas, insignificantes, por essa minoria inteligente e ilustrada, que, salvo raras excepções, apostolizava que o ideal de pátria devia ser amplificado, ou substituído por um ideal mais largo e grandioso - a humanidade. A vida da nação, o interesse colectivo, eram frequentemente esquecidos, ou relegados para o cesto das questões inúteis.
Este modo de pensar e de sentir traduzia-se por uma abstenção sistemática nos conflitos da vida pública, por uma passividade contemplativa perante os nossos destinos como povo, como nação. (...) E o único ideal belo e magnífico, como um generoso delírio de grandezas, era o de uma pátria mais vasta, que abrangesse a terra toda*.
Finalmente uma outra parte da sociedade portuguesa, constituída pelas quadrilhas messiânicas, instalava-se parasitariamente no corpo da Nação, aproveitando-se da obediência cega, animal, da maioria ignorante, domada e escrava, e ao mesmo tempo da passividade e desleixo dessa minoria inactiva, requintadamente ilustrada e desenhosa.
E enquanto exteriormente nós íamos mostrando uma ficção de organização social civilizada, no seio da nossa sociedade, atacada dessa infatigável polilha messiânica, ia-se operando lentamente, surdamente, essa situação dolorosa de depressão moral, em que, no dizer hiperbólico dum amigo meu - de entre cinco milhões de criaturas que se sentem esmagadas por um mal-estar insuportável, não existem cinco que se entendam para o remediar."
[*Salazar pôs em acção exemplarmente o conluio entre quadrilhas messiânicas parasitas e minorias ilustradas servis. A maioria ignorante era considerada há séculos puro gado de exportação. E carregava ao lombo o mito, o colossal embuste duma pátria multirracial e pluricontinental, pelo mundo em pedaços repartida. Os visionários paranóicos do V Império ainda hoje batem nessa tecla. Sonham com uma pátria do tamanho do mundo. Mas não cavam a horta que têm nas traseiras. Preferem asilar numa sopa dos pobres.]
"Em suma, na imensa maioria da sociedade portuguesa não se formou um carácter cívico em harmonia com a vida moderna e fez-se todo o possível para destruir o carácter cívico antigo. Desta deficiência educativa, o sentimento de vida nacional não evoluiu normalmente e resulta um sentimento, desvirtuado em parte, em parte incompleto.
Por outro lado, uma parte, mínima é certo, da sociedade portuguesa apresenta um avanço educativo relativamente acentuado, vindo deste modo acusar mais exagerada e nitidamente a desarmonia mental e afectiva da nacionalidade. (...)
Bastará tão somente constatar que em Portugal todas as questões de interesse nacional eram encaradas como questões mínimas, insignificantes, por essa minoria inteligente e ilustrada, que, salvo raras excepções, apostolizava que o ideal de pátria devia ser amplificado, ou substituído por um ideal mais largo e grandioso - a humanidade. A vida da nação, o interesse colectivo, eram frequentemente esquecidos, ou relegados para o cesto das questões inúteis.
Este modo de pensar e de sentir traduzia-se por uma abstenção sistemática nos conflitos da vida pública, por uma passividade contemplativa perante os nossos destinos como povo, como nação. (...) E o único ideal belo e magnífico, como um generoso delírio de grandezas, era o de uma pátria mais vasta, que abrangesse a terra toda*.
Finalmente uma outra parte da sociedade portuguesa, constituída pelas quadrilhas messiânicas, instalava-se parasitariamente no corpo da Nação, aproveitando-se da obediência cega, animal, da maioria ignorante, domada e escrava, e ao mesmo tempo da passividade e desleixo dessa minoria inactiva, requintadamente ilustrada e desenhosa.
E enquanto exteriormente nós íamos mostrando uma ficção de organização social civilizada, no seio da nossa sociedade, atacada dessa infatigável polilha messiânica, ia-se operando lentamente, surdamente, essa situação dolorosa de depressão moral, em que, no dizer hiperbólico dum amigo meu - de entre cinco milhões de criaturas que se sentem esmagadas por um mal-estar insuportável, não existem cinco que se entendam para o remediar."
[*Salazar pôs em acção exemplarmente o conluio entre quadrilhas messiânicas parasitas e minorias ilustradas servis. A maioria ignorante era considerada há séculos puro gado de exportação. E carregava ao lombo o mito, o colossal embuste duma pátria multirracial e pluricontinental, pelo mundo em pedaços repartida. Os visionários paranóicos do V Império ainda hoje batem nessa tecla. Sonham com uma pátria do tamanho do mundo. Mas não cavam a horta que têm nas traseiras. Preferem asilar numa sopa dos pobres.]
Manuel Laranjeira - Cont. 2
[Laranjeira, médico em Espinho, suicidou-se em 1912]
(...)
"A verdade é que, na sociedade portuguesa, a noção da sua personalidade colectiva, o sentimento de vida nacional, o sentimento de pátria, se quiserem, não existe sobrepondo-se a todos os outros sentimentos de interesse individual. Existe apenas o sentimento e o espírito intolerante de seita, existe apenas o interesse da quadrilha, mascarados por um messianismo avariado, de ínfima qualidade.
Um dos aspectos mais típicos da vida portuguesa, e um dos seus males mais funestos, é a sua prodigiosa fertilidade messiânica. A cada passo surge um homem que se sente com envergadura e ventre de messias. Por cada messias que aborta, pululam inesgotavelmente centenas de messias, toda uma falperra de messias. E enquanto a Nação rola à aventura de messianismo em messianismo*, a sociedade portuguesa, lentamente, infatigavelmente, vai-se dissolvendo e desagregando.
(...)
A palavra escrita é imprescindível para a vida social moderna. Actualmente ela é o instrumento usual mais importante da sociabilidade. Na complexidade da vida de hoje, o homem que não sabe ler nem escrever é um homem incompleto, desarmado para a luta do pão quotidiano. É nestas lastimosas condições de inferioridade social que se encontra a maioria da população portuguesa.Incapaz de transmitir ideias e sentimentos, o cérebro da grande massa da sociedade portuguesa definha-se, atrofia-se, lenhifica-se, e a alma portuguesa estagna na tranquilidade das águas paludosas. Acrescente-se a esta lenta agonia do espírito nacional a influência corrupta e secular da educação jesuítica, sinistra e deprimente, e a única coisa que espanta verdadeiramente é a pasmosa resistência deste desgraçado povo que tudo tem sofrido, e que ainda não sucumbiu totalmente ao peso do seu mau destino."
[*faltou especificar aqui que o primeiro data de 1415. Mas não se pode ter tudo!]
(...)
"A verdade é que, na sociedade portuguesa, a noção da sua personalidade colectiva, o sentimento de vida nacional, o sentimento de pátria, se quiserem, não existe sobrepondo-se a todos os outros sentimentos de interesse individual. Existe apenas o sentimento e o espírito intolerante de seita, existe apenas o interesse da quadrilha, mascarados por um messianismo avariado, de ínfima qualidade.
Um dos aspectos mais típicos da vida portuguesa, e um dos seus males mais funestos, é a sua prodigiosa fertilidade messiânica. A cada passo surge um homem que se sente com envergadura e ventre de messias. Por cada messias que aborta, pululam inesgotavelmente centenas de messias, toda uma falperra de messias. E enquanto a Nação rola à aventura de messianismo em messianismo*, a sociedade portuguesa, lentamente, infatigavelmente, vai-se dissolvendo e desagregando.
(...)
A palavra escrita é imprescindível para a vida social moderna. Actualmente ela é o instrumento usual mais importante da sociabilidade. Na complexidade da vida de hoje, o homem que não sabe ler nem escrever é um homem incompleto, desarmado para a luta do pão quotidiano. É nestas lastimosas condições de inferioridade social que se encontra a maioria da população portuguesa.Incapaz de transmitir ideias e sentimentos, o cérebro da grande massa da sociedade portuguesa definha-se, atrofia-se, lenhifica-se, e a alma portuguesa estagna na tranquilidade das águas paludosas. Acrescente-se a esta lenta agonia do espírito nacional a influência corrupta e secular da educação jesuítica, sinistra e deprimente, e a única coisa que espanta verdadeiramente é a pasmosa resistência deste desgraçado povo que tudo tem sofrido, e que ainda não sucumbiu totalmente ao peso do seu mau destino."
[*faltou especificar aqui que o primeiro data de 1415. Mas não se pode ter tudo!]
Subscrever:
Mensagens (Atom)