sexta-feira, 9 de julho de 2010

Congresso

1º Congresso da Associação Rio Vivo
Tema: À descoberta das nascentes
Data: 7/8 Agosto de 2010
Local: Pavilhão multiusos de S. Pedro do Rio Seco

Nos dias 7 e 8 de Agosto, a Associação Rio Vivo leva efeito o seu 1º Congresso no Pavilhão Multiusos de S. Pedro do Rio Seco.
A RIO VIVO foi constituída em Agosto de 2009, altura em que foi assinada a Carta de Princípios que ficou conhecida por “Declaração de S. Pedro”. Nesse documento estão expressos os princípios que norteiam a Associação, e estão definidos os objectivos que se propõe atingir. O tema do congresso é “À descoberta das nascentes”. Ao escolhê-lo assumimos que é na nascente que o rio se forma, e é das raízes que vem a seiva que dá a vida.
Nos tempos que correm, marcados pela euforia do consumismo, da facilidade aparente e do excesso, e pela desvalorização do trabalho, a Associação Rio Vivo pretende ser o espaço de reflexão e de busca de novas formas de desenvolvimento e prosperidade, pessoal e colectiva. Inspirados nas tradições e no exemplo dos que nos precederam, queremos deixar aos nossos filhos um mundo onde seja possível viver, com respeito pela Natureza, pela solidariedade humana e pela utilização racional dos recursos disponíveis.
Neste 1º Congresso, vamos apresentar e debater temas que têm que ver com a nossa aldeia, mas também com o mundo conturbado em que vivemos. E com o tempo, porventura ainda mais conturbado, que nos espera no futuro. Haverá também espaço para o jogo e o passatempo, recuperando antigas tradições locais como o Jogo do Ferro, e estimulando a vivência ao ar livre.
E é claro que a festa não poderia faltar: haverá sardinhada, animação, convívio e boa disposição!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Economia e ambiente

Com vénia ao dr. Luís Queirós
Presidente da Marktest e membro da ASPO Portugal

Estive há dias no Museu da Electricidade, onde assisti à conferência, promovida pelo “Sol”, sobre “Economia, Ambiente e Sustentabilidade”. O que me levou lá foi o meu interesse em ouvir o professor Ernâni Lopes. E valeu a pena, pois assisti a uma lição magistral. Mas não foi com a sua dissertação sobre economia que o professor mais me impressionou. Acima de tudo foi a atitude de uma pessoa sábia e humilde, que questionou o “direito” do homem destruir o ambiente, pois que o “poder” adquiriu-o ele já há bastante tempo: primeiro, com o “clarão” de Hiroshima em 1945; e depois, com a descoberta do ADN em 1960. No primeiro momento tornou-se evidente o poder da destruição cega e massiva, e no segundo a capacidade de manipular geneticamente o genoma dos seres vivos.
Falou o professor do capitalismo, que disse ter “nascido” em 1776, no ano da publicação da "Riqueza das Nações" de Adam Smith, e que foi também o ano da independência da América. Capitalismo cujo desenvolvimento foi alimentado pela primeira revolução industrial, e que foi causa e efeito de inúmeras conquistas tecnológicas (daí poder chamar-se-lhe uma revolução!). Mas conseguidas à custa da contínua e progressiva destruição do ambiente, acrescentou ele. Assistimos agora a um ponto de viragem, pois já nos demos conta de que o ambiente não pode mais continuar a ser destruído. Antes pelo contrário, precisamos de o reconstruir e de recuperar os estragos. E essa reconstrução, para o conferencista, abre uma nova e grande oportunidade ao capitalismo. Considera ele que o capitalismo sempre foi capaz de "dar a volta por cima” às dificuldades, e até foi capaz de transformar derrotas em vitórias, e falhanços em novas oportunidades.
Discordando eu desta conclusão, disse-lho no curto debate que seguiu. Como poderá o capitalismo passar de destruidor a protector? Poderá o lobo, devorador de cordeiros, transformar-se, como que por encanto, no seu criador e protector? A destruição do ambiente pelo capitalismo, é, na minha opinião, a afirmação do seu “instinto” predador, a forma de garantir a sua sobrevivência. Afinal consumir é, na nossa economia capitalista e liberal, sinónimo de destruir.
Ernâni Lopes acredita que a tecnologia (para ele o grande trunfo do capital) pode mudar o mundo, e pode até resolver o problema energético. Chegou mesmo a afirmar que a “economia” encontrará, quando for necessário, um substituto para o petróleo. E, quando se falou de “colapso”, ele acusou o toque, e confessou que conhecia os casos enunciados por Jared Diamond no seu famoso livro, com aquele nome, e recentemente traduzido para português. Mas que discordava do autor sobre as razões dos vários exemplos de “colapso” apresentados no livro (incluindo o famoso exemplo da Ilha da Páscoa). Considera ele que a verdadeira causa foi a incapacidade dos intervenientes para encontrar soluções tecnológicas para os resolver.
O que me separa aqui conferencista são os princípios da termodinâmica: a tecnologia não cria energia, aliás, a energia não se cria (1º princípio); apenas se transforma, e mesmo a transformação nunca é gratuita (2º princípio).
Mas este pormenores não retiram nada ao essencial da conferência, nem reduzem o seu interesse. Ernâni Lopes explanou conceitos que nos fazem pensar, tais como a diferença entre política, doutrina e ideologia. Lembrou que, na escala do nosso relacionamento com o mundo (a Weltanschauung), a sabedoria sobrepõe-se ao conhecimento, o qual por sua vez se sobrepõe à informação e aos dados. Nas sua dissertação revelou-se um sábio, descomprometido e humano, e demonstrou possuir uma grande inteligência. E assumiu, com humildade, uma atitude quase religiosa perante o mundo e perante a vida.

Romantismos-2


DE MANHÃ CEDO

Minha esposa querida e boa.
Minha bem amada esposa,
que logo pela manhã
Negro café, branco leite,

É ela mesma quem serve!
E com que encanto, que riso!
Em todo o mundo de Cristo
Não há quem sorria assim.

E a flauta que é sua voz
Só entre os anjos se encontra.
Cá por baixo, quando muito,
Entre os melhores rouxinóis.

E as mãos que são como lírios!
E os cabelos que entressonham
Em volta do róseo rosto!
Ah, tudo nela é perfeito!

Hoje, porém, ocorreu-me
- Não sei porquê - que um pouquinho
Mais elegante o seu corpo
Pudera ser. Um pouquinho.

Heinrich Heine (1797-1856)
Os franceses chamaram-lhe Henri Heine. Ou terá sido Henri Haine?!

BOM CONSELHO

Põe sempre os nomes aos bois
Nas histórias que contares.
Ou logo os burros depois
Se queixam de os retratares:
"Mas são as minhas orelhas!
Este azurrar é o meu!
Se estas são minhas guedelhas!
Ai este burro sou eu!
Não me nomeie ele embora,
Toda a Pátria vai agora
Saber-me por burro, hin-hã!
Ai que eu, hin-hã, hin-hã!"
- Quiseste a um burro poupar...
Logo doze hão-de zurrar.

domingo, 4 de julho de 2010

Folias

Sem visitas no jardim...
há folia no bassin.
- Deix'ós poisar! - adverte um pardalote.

Romantismos-1

Quisemo-nos os dois profundamente,
E o caso é que acertámos muito bem.
De "Marido e Mulher" brincou a gente,
Sem nos batermos nunca, e sem ralhar também.
Alegres e contentes nos beijávamos,
E era em ternura que nos enlaçávamos.
Por fim, num assomo de infantil ardor,
Jogámos na floresta às escondidas -
E fomos nesse jogo os dois de um tal valor,
Que não nos vimos mais em nossas vidas.

Heinrich Heine (1797/1856)
Nascido em Düsseldorf, viveu exilado em Paris, onde morreu.
Não sem antes deixar dito que uma coisa é Romantismo, e outra coisa é lamechice e folhas caídas.

sábado, 3 de julho de 2010

Crepúsculo em Riba-Côa

Todo o imenso dia
a cotovia cantou.
Inda insatisfeita?
[Bashô, Japão, 1644/1694]

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Estimação

Diz-se que todos os anos trinta e tal mil animais de estimação acabam abandonados: em estradas, em descampados, em terras desconhecidas.
Antigamente havia picos nesta selvajaria: no fim da vida dos bichos, no defeso da caça, no princípio das férias... Agora já são boas todas as estações. Os canis e as sociedades protectoras não têm mãos a medir.
Nos tempos do Grand Tour, um modo de avaliar as sociedades de selvagens era ver como tratavam os presos e as mulheres. Hoje basta ver os cães, para lhes augurar um lindo enterro. Às sociedades de selvagens.