segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Day after 4

A vitória autárquica do PC (estrondosa, indiscutível, feita à custa do PS), torna claras duas coisas.
1 - O Seguro é um boneco com pés de barro, que não serve o PS nem o país. Serve a escória aparelhista do partido que o elegeu.
2 - O tacticismo do comité central (que em tempos chumbou ignominiosamente o PEC IV e estendeu a passadeira ao Relvas) produziu o esperado resultado. O partido recuperou quota de mercado, à custa do desespero do povo e da desgraça do país. O júbilo e o champanhe ficaram para a oligarquia.
[2009 - 2011 - 2013]

Day after 3

A síntese mais exacta, e mais sintética, do que ontem teve lugar, é do Barroco Esperança:
«Seguro ganhou em Gaia*; Costa ganhou no país.»

* Nem esse pouco merecia, o inútil pavãozito!

Leitura lúcida

Como é habitual.

Day after 2

Sabe-se, porque se vê à vista desarmada, que o actual SG do PS não constitui alternativa a nada, nem esperança de coisíssima nenhuma. É o fruto espúrio duma escolha feita há anos pela escória aparelhista que não falta no PS. Trocam favores uns aos outros, como bons capangas, em prejuízo geral.
Em 2011 foi o único deputado do PS que se levantou para aplaudir a intervenção miserável de Cavaco reeleito, na Assembleia da República.
Durante um ano fechou-se no silêncio da cumplicidade com os traidores do governo, e permitiu, sem réplica, que a direita triunfante do Relvas emporcalhasse as heranças melhores dos governos de Sócrates, frito em lume brando pelas oligarquias, durante seis anos.
É um irmão melício do Coelho, na ignorância, na falta de carisma, na vaidade, na inutilidade. Por isso o PS não descola do PPD, na contagem dos votos.
Mesmo nas eleições de ontem, um naufrágio para o PPD, há dois exemplos flagrantes: Matosinhos e a Guarda.
Em Matosinhos, Guilherme Pinto seria o candidato natural do PS. Mas o aparelho do partido preferiu-lhe um tal Parada. Pinto desvincula-se, concorre como independente, e dá a Seguro uma banhada perfeita.
Na Guarda, o aparelho de Seguro escolheu um candidato à sua imagem, preterindo o candidato natural, Virgílio Bento. Este desvincula-se do partido e decide apresentar-se numa lista independente. Um tribunal qualquer recusou a iniciativa, por razões que são lá dele, e a lista de Bento acabou fora da liça. Mas o Seguro levou outra banhada, e a câmara foi parar às mãos de Álvaro Amaro, um paraquedista do PPD que veio de longe.
Com excepção do comité central (isso é uma outra questão), toda a gente sabe em Portugal que nada pode ser feito contra as elites da oligarquia revanchista, velha e nova, sem o concurso do Partido Socialista. Não do presente, o da escória aparelhista e cúmplice do Seguro, de quem nada há a esperar. Há-de ser doutro. E é perverso que o Seguro, no rescaldo do dia de ontem, apareça de sorriso mais enfatuado e convencido que nunca, a reclamar a vitória. Que foi nossa, notável e colectiva! Tudo aqui, em números.

Day after 1

"...Os caloiros são obrigados a comprar leite, farinha, ketchup, maionese, ovos, etc. Levam com papas k contêm urina, fezes, vomitado e por aí adiante... É mt mt mt vergonhoso! A maioria das vezes praxam os caloiros no chafariz da Dorna por ser um sitio escondido..."

Nos últimos tempos a decadência da cidade da Guarda tem-se tornado um facto irrecusável. Perdeu o ensino universitário a sério para Viseu, e para a Covilhã (UBI). Perdeu a Delphi e milhares de postos de trabalho. O novo hospital e os serviços de saúde são questões que se arrastam, em modo de telenovela manhosa. Se a tradição de poder autárquico socialista não é uma coisa famosa, não se esqueceram ainda as intervenções de velhas figuras do PPD na vida da cidade, mormente no IPG. 
A última novidade é a perda da câmara para uma figura alienígena do PPD, numas eleições de justa débacle deste partido, em resultado de escolhas duvidosas da direcção de Seguro no PS.
Vem isto a propósito da imagem que em cima se mostra. O IPG fornece à escassa procura um menu de cursos desinteressante, para não dizer irrelevante e desqualificado. É neste contexto que a imagem fala por si, numa orgia de insânia juvenil que ultrapassa as congéneres.

domingo, 29 de setembro de 2013

Com vénia

A uns defuntos que eu cá sei! E eles também!

Ilhéus

Sem que eu entenda porquê, nutro pelos ilhéus um particular afecto. E tanto aprecio Carlos César, como dirigente dos Açores - em quem vejo uma reserva do PS e desta outoniça república -  como desprezo o Alberto João, essa máscara teatral desta miséria trágica.
Filhos da fome, ainda mais que todos nós, os dos Açores levaram Portugal para o Massachussets, na costa leste dos Estados Unidos, no século XIX. Os madeirenses fizeram a mesma coisa para o Illinois. É de perguntar porquê estas diferenças.
O assunto anda por certo tratado com rigor pelos académicos. Mas eu prefiro as versões populares, que me poupam muito tempo, e paciência, e os delicados olhos.
Os baleeiros da costa leste da América, que fainavam o cachalote e a baleia no Atlântico, aportavam a algumas ilhas dos Açores. A dada altura começaram a embarcar ilhéus, como membros das equipagens. As elites nacionais, que sempre se alimentaram de sangue de escravos, combatiam esse tráfego. E havia mesmo uma ilha, e um local, onde os ilhéus saltavam duns rochedos, directamente para o convés americano. Nasceu aí a emigração a salto. Uns atraíram os outros, e é esta a origem da fixação açoreana na região de Newark.
Já na Madeira a situação é outra, embora a miséria fosse igual. Em meados do séc. XIX, um presbítero escocês, Robert Kalley, formou a primeira comunidade protestante na Madeira. E o tratamento papista não se fez esperar. O presbítero fugiu num barco inglês para salvar a pele, e a própria comunidade teve que fazer o mesmo. Na América viveu da caridade pública, até se fixar em Jacksonville, no Illinois, por razões aqui não destrinçáveis. 
A estes, outros vieram juntar-se, que as razões de emigração nunca faltaram. Para o Illinois, que já tinha rota aberta.