Ali é que era o bonito / para a gente passear / tínhamos dias inteiros / de estarmos sempre a caçar.
Os coelhos não eram iguais / uns grandes outros pequenos / não os pudemos esfolar / alguns até os queimámos.
Tínhamos um caçador / muito bom para caçar / tinha muitas ocasiões / de a cinta rodear.
É muito bom caçador / criado lá na Beira / não sei se o conheceram / o nome dele chama-se Pereira.
A caçada terminou / porque entrava a (?) / e também já os não havia / que lhes acabámos com a geração.
Por ali andámos 3 meses / sem termos nenhum ataque / até ao dia 3 de Maio / é que entrámos em combate.
Nós andávamos todos tristes / sem termos alegria / a primeira vez que lá fomos / até foi por companhia.
Só lá estivemos 2 dias / mas chegou para aflições / até me doíam os ouvidos / com o troar dos canhões.
Eu estava de sentinela / aos bocados espreitando / veio de lá uma granada / logo me ali ia matando.
Eu fiquei atrapalhado / e o fogo continuou / a que caiu ao pé de mim / foi sorte não rebentou.
Era granada de grosso calibre / trazia uma força bruta / mas não vi quem a deitou / aquele grande filho da puta.
Rapazes estamos desgraçados / temos o inimigo à frente / arma-se hoje algum combate / que fica aqui toda a gente.
Aquilo foi passando / nós ainda matámos 1 / e cá do nosso lado / mortos e feridos não foi nenhum.
Estávamos já para abalar / ferido não havia ninguém / dissemos uns para os outros / isto é sorte que a gente tem.
Voltámos para a retaguarda / 12 dias a descansar / e no fim dos 12 dias / tornámos para lá voltar.
Íamos todos formados / ao mando dum capitão / a segunda vez que lá fomos / já fomos por batalhão.
Dessa vez foram 6 dias / a combater com o inimigo / eu disse cá para mim / aqui perco o nome de Egídio.
Deram-se grandes combates / de parte a parte a matar / vimo-nos ali perdidos / em termos de não escapar.
A primeira vez não sabia / o fim que aquilo dava / agora já vou sabendo / já lhe vou dando porrada.
(Cont.)
sábado, 9 de janeiro de 2016
Maldita corvina!!!
O professor-analista-comentador-explicador dos sermões semanais da televisão, que lê 50 livros por noite, que é chefe da Fundação da Casa de Bragança e candidato a Presidente da República é este sempre-em-pé de barro.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Perfis
«(...) Para muitos europeus, que apenas tinham olhos para o atraso de Portugal e para a tirania do Marquês de Pombal, a morte pelo garrote e pelo fogo de Malagrida, o jesuíta meio louco, foi a última gota. Foi, porém, uma curiosa ironia que o último indivíduo a ser queimado no pelourinho pelas autoridades portuguesas fosse padre e membro de uma ordem religiosa que fora a verdadeira ponta de lança da Contra-Reforma. Como que a acentuar este ponto, o Cavaleiro de Oliveira, um aventureiro português que tinha aconselhado D. José I a fundar uma igreja lusitana, segundo o modelo da igreja de Inglaterra, e que mais tarde se tornou luterano, foi queimado em efígie ao lado do jesuíta. (...) Pombal usou a tentativa de assassínio de D. José I para esmagar tanto a aristocracia como os jesuítas. (...)
Portugal foi mais profundamente marcado pela Contra-Reforma do que qualquer outro país da Europa, e foi o país que aceitou melhor a ordem que exemplificava o ultramontanismo da afirmação da supremacia papal - a Companhia de Jesus. Em nenhum outro país os jesuítas conseguiram um predomínio semelhante na educação da elite. (...)
A última década do governo de Pombal assistiu a mudanças dramáticas nas condições económicas, que tiveram consequências significativas para a economia política portuguesa, Foi um período de paradoxos, marcado pela recessão económica e pela concentração de poder económico nas mãos dos amigos de Pombal. Na década iniciada em 1770 deu-se a quebra mais importante da produção de ouro do Brasil, que esteve na base da alteração das circunstâncias vividas por Portugal. A exaustão do ouro de aluvião e a incapacidade de encontrar técnicas mais adequadas a uma economia demasiado dependente da riqueza aurífera do sertão brasileiro, tiveram consequências muito graves. Acima de tudo levou a um declínio prolongado da capacidade de importação do país, especialmente de produtos britânicos. Mas essa alteração substancial também permitiu que Portugal atingisse um dos objectivos das políticas nacionalistas de Pombal: a balança comercial entre Portugal e a Grã-Bretanha quase atingiu o equilíbrio. (...)»
Tínhamos partido dos pontos de vista de Camilo Castelo Branco sobre o Perfil do Marquês de Pombal, a propósito de Sócrates! Daí derivámos para uma visão inglesa, que agora chega ao fim.
« (...) Quase um ano e meio depois de ter sido afastado do governo, as queixas contra Pombal levaram à elaboração duma famosa acção judicial. O idoso Marquês teve que enfrentar acusações graves: abuso de poder, corrupção e outros tipos de fraudes. Empregou toda a energia que lhe restava para enfrentar esses ataques e defender-se de maneira muito judiciosa. O interrogatório do Marquês prolongou-se de Outubro de 1779 a Janeiro de 1780. (...) As provas foram examinadas por um tribunal de cinco juízes, mas não houve unanimidade quanto à maneira de proceder. D. Maria I resolveu acabar com o processo em 1781, declarando Pombal merecedor de "castigo exemplar". Mas por causa da sua idade e saúde precária, não lhe aplicou qualquer pena. (...)
Os historiadores portugueses, como sucedeu com os contemporâneos do Marquês, continuam divididos quanto aos méritos e à importância das medidas que tomou. Só um século e meio depois mereceu o reconhecimento nacional sob a forma duma grande estátua que, do cimo da Avenida da Liberdade, agora domina Lisboa. (...)
Se tivermos em conta a posição de Portugal no sistema de comércio internacional do séc. XVIII, concluímos que Pombal seguiu uma política lógica. (...)»
CEP 4
O comboio estava à espera / para todos embarcarmos / nem sequer nos deram tempo / para ao menos descansarmos.
Embarcámos a toda a pressa / sem perder ocasião / o frio era tanto / que cortava o coração.
O comboio deu partida / para o caminho seguir / íamos todos desanimados / por não poder resistir.
Levávamos a cara fria / e o coração gelado / chegámos a um certo sítio / que até morreu um soldado.
Era nosso camarada / e muito bom soldado / e para falar a verdade / era primeiro cabo.
Daquele não se fez caso / do que tinha acontecido / muitos dos que lá iam / nem sabiam que tinha morrido.
Dizíamos uns para os outros / não há quem no daí leve / o comboio não parava / não se via senão neve.
Chegámos a uma estação / já via gente francesa / lá deixámos o camarada / enterraram-no com certeza.
Nós seguimos a jornada / levávamos muitas paixões / daí a poucos minutos / sentiu-se o toar dos canhões.
Já íamos muito longe / íamos sempre a navegar / a primeira coisa que vi / foi um aeroplano alemão no ar.
Pus-me para ele a olhar / que me causava admiração / daqui a poucos minutos / atiraram com ele ao chão.
Ele andava tão alto / até por cima das névoas / e já vinha da Alemanha / de uma distância de léguas.
Atirava muito tiro / e deitava-os lá do ar / já sabia que nós que íamos / que já nos estava a esperar.
Ali não matou ninguém / não lhe calhou o que queria / por fim deitaram-no abaixo / a nossa artilharia.
Nós tratámos de formar / e o nosso batalhão à parte / marchámos para uma povoação / chamada Iquinegate.
O povo já era perto / já víamos a torre do sino / porque a neve era tão forte / que não víamos o caminho.
Íamos de mochila às costas / uns tristes outros alegres / e passámos lá num campo / onde andava um rebanho de lebres.
Eu não as cheguei a contar / digo a verdade não into / elas eram mais de vinte / a trinta a quarenta e cinco.
Chegámos à povoação / já estava a nascer a lua / não tínhamos onde dormir / dormimos cá fora na rua.
Reparem bem no (?) / como é a cama dos soldados / vinha a manhã em Castela / já estávamos todos levantados.
Estivemos lá oito dias / para gente descansar / mas cama não havia / para se a gente deitar.
Findaram-se os oito dias / lá naquela povoação / logo no dia a seguir / fomos ao raio da instrução.
Embarcámos a toda a pressa / sem perder ocasião / o frio era tanto / que cortava o coração.
O comboio deu partida / para o caminho seguir / íamos todos desanimados / por não poder resistir.
Levávamos a cara fria / e o coração gelado / chegámos a um certo sítio / que até morreu um soldado.
Era nosso camarada / e muito bom soldado / e para falar a verdade / era primeiro cabo.
Daquele não se fez caso / do que tinha acontecido / muitos dos que lá iam / nem sabiam que tinha morrido.
Dizíamos uns para os outros / não há quem no daí leve / o comboio não parava / não se via senão neve.
Chegámos a uma estação / já via gente francesa / lá deixámos o camarada / enterraram-no com certeza.
Nós seguimos a jornada / levávamos muitas paixões / daí a poucos minutos / sentiu-se o toar dos canhões.
Já íamos muito longe / íamos sempre a navegar / a primeira coisa que vi / foi um aeroplano alemão no ar.
Pus-me para ele a olhar / que me causava admiração / daqui a poucos minutos / atiraram com ele ao chão.
Ele andava tão alto / até por cima das névoas / e já vinha da Alemanha / de uma distância de léguas.
Atirava muito tiro / e deitava-os lá do ar / já sabia que nós que íamos / que já nos estava a esperar.
Ali não matou ninguém / não lhe calhou o que queria / por fim deitaram-no abaixo / a nossa artilharia.
Nós tratámos de formar / e o nosso batalhão à parte / marchámos para uma povoação / chamada Iquinegate.
O povo já era perto / já víamos a torre do sino / porque a neve era tão forte / que não víamos o caminho.
Íamos de mochila às costas / uns tristes outros alegres / e passámos lá num campo / onde andava um rebanho de lebres.
Eu não as cheguei a contar / digo a verdade não into / elas eram mais de vinte / a trinta a quarenta e cinco.
Chegámos à povoação / já estava a nascer a lua / não tínhamos onde dormir / dormimos cá fora na rua.
Reparem bem no (?) / como é a cama dos soldados / vinha a manhã em Castela / já estávamos todos levantados.
Estivemos lá oito dias / para gente descansar / mas cama não havia / para se a gente deitar.
Findaram-se os oito dias / lá naquela povoação / logo no dia a seguir / fomos ao raio da instrução.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Devaneios pios, presunções mundanas e águas-bentas cultuais
"(...) O problema do PCP é que tem a mania de que defende os trabalhadores e, como eles ainda não sabem ou não ouviram, convenceu-se de que, com a insistência no slogan, um dia eles lá chegarão e lhe entregarão o destino. Enfim. Parece-me tarde e, no fundo, o partido limita-se a sobreviver, agora apoiado numa geração jovem, engraçada e bem apessoada, potencialmente sem emprego, que Edgar (Silva) ambiciona dirigir. Caso falhe a Presidência, claro. (...)".
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