sábado, 22 de janeiro de 2011

Dia de reflexão

(...) cegos são e condutores de cegos; e se um cego guia a outro cego, ambos vêm a cair no barranco.
(do evangelho segundo São Mateus)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Nada feito

Ou a vida se abastardou ao ponto de se tornar indizível, ou fui eu que perdi a capacidade de a soletrar.
Seja como for, e enquanto for assim, nada feito.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Adagiário - 9

Quando a esmola é grande, o pobre desconfia.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Portugalmente - 81


(...)

O viajante chegou à estação de Almendra, demorou um olhar nela, desejou não ter lá ido. Ouviu Camilo falar do que ela foi noutros tempos, da chegada dos comboios que vinham da cidade a silvar vapor e fumaradas, dos cestões de fruta nas balanças para despacho ao domicílio, dos vagões de cereais e de farinhas que rangiam ao partir, das pipas atulhadas dum arroz envergonhado para o rancho dos falangistas, dos barris atestados de volfrâmio clandestino para as forjas dos nazis, das encomendas que vinham endereçadas com etiquetas de pau, da pedra-lipes para as vinhas. O viajante desejou não ter lá ido, porque hoje só ali vão turistas desocupados e ladrões de carris, muitos que já não existem são travejamentos de vivendas patuscas, onde moram portugueses que adormecem em sossego. O viajante desejou não ter lá ido, pois ver assim desprezado um lugar destes é ver a esperança a morrer. E, sendo verdade ou mentira, o viajante não se tem por masoquista.
(...)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Ar do tempo - III

Em meados do séc. XVIII, o Arcadismo, a 3ª fase clássica, foi um precário interregno de equilíbrio, antes da grande onda romântica. Reagindo aos formalismos ocos do barroco, e reclamando os princípios do racionalismo iluminista, os árcades procuraram ressuscitar as antigas formas e lugares clássicos, seguindo modelos franceses. Em certa medida foi um refúgio falhado, porque a história não avança recuando.
Porém, fazendo eco duma crescente ascensão cultural burguesa e do declinar do antigo regime , há um quotidiano prosaico que entra pela primeira vez na poesia. O louro chá no bule fumegando, de Correia Garção, que usa ainda a forma clássica do soneto com conteúdos inovadores, é um interessante exemplo dessas contradições.
Mas não tarda aí o Romantismo, de raiz inglesa e alemã, a arrumar na prateleira o universo estético clássico, e a reivindicar os direitos da subjectividade, da inspiração, do génio, do individualismo, do "eu": o sentimento, a paixão, a noite, a solidão, o belo-horrível, a tradição popular medieval como origem nacionalista, tornam-se tópicos comuns.
O liberalismo político não faz senão alargar o espaço cultural e social burguês. E a prosa portuguesa, com as Viagens na Minha Terra, de Garrett, solta-se para a modernidade.
A história nunca se repete ipsis verbis, ou ficaria parada. O que se repete é o seu ciclo, integrando elementos novos que a fazem avançar.