Do outro lado era a porta da taberna: uns copitos ruidosos, uma rodada às vezes, a mesa do chincalhão. E às tardes quentes de Verão havia quem viesse de mais longe, à patuscada: tomates cortados num barranhão, cebolas às rodelas, duas latas de atum e uns pichorros do tonel. O vinho era da casa, às vezes baptizado. Mas a cepa era de casta e resistia ao baptizo.
Até que um dia chegaram ao mesmo tempo a liberdade e a agitação civil. E um herdeiro apanhou este comboio e entrou na vida política. No início foi edil local, mais tarde chegou a deputado. Ganhou importâncias novas, imaginou influências, viu aumentado o tamanho da sombra. E decidiu restaurar a venda do Damião.
Faltava-lhe porém um varandim, com telhadinho em aba, onde as cansadas pernas do deputado pudessem estender-se. E ele avançou rua adentro, plantou no domínio público os merlões senhoriais. A junta ainda protestou. Bem lhe valeu protestar!