domingo, 14 de dezembro de 2008

As Aves...



Por esta altura, há-de haver um ano, dei As Aves à estampa.
Leram-nas alguns amigos, a quem sobrou paciência para um comentário.

Um advogado: Gostei imenso do seu livro, da escrita densa, significante, pesada (no sentido mais nobre), que li de um fôlego e depois reli devagar, com respiração mais pausada...

Um professor de literatura: ...Da guerra colonial, da revolução dos cravos, das suas consequências, é disso, substantivamente, que o livro trata. Sobre a guerra colonial já muito se escreveu e já muitos livros foram publicados, alguns de grande valor documental e mérito literário. Pedissem-me, a mim, uma lista dos melhores livros que sobre tal temática me foi dado ler, colocaria, sem a menor hesitação, estas Aves que Levantam Contra o Vento a par de Nó Cego, de Carlos Vale Ferraz, Os Cus de Judas, de Lobo Antunes, Cortes, de Almeida Faria, Percursos: do Luachimo ao Luena, de Wanda Ramos, Costa dos Murmúrios, de Lídia Jorge. (...) Foi para mim um verdadeiro exercício de sedução literária, a leitura desta obra...

Um linguista, professor e crítico literário: (...) o primeiro (e grande) romance... é um livro excepcional. (...) É o retrato dum Portugal que foi, mas ainda persiste em ser. Porque nós somos como somos - e aí está o nosso grande problema...

Um militar: (...) Termino com uma ponta de inveja. Inveja da boa. É que, sem lisonjas, quanto não daria eu para saber escrever assim.

Um engenheiro: Um livro a não perder, escrito com a cabeça e com o coração. Numa prosa magistral, um testemunho único de um homem que viveu o 25 de Abril por dentro. As esperanças, as angústias, as desilusões, as traições! Uma obra prima para a história!

Outro engenheiro: (...) Há alguns momentos de glória na História deste país. E o autor soube - e de que maneira! - dar voz a essa História que não se lê nos manuais. (...)

Um filósofo: Confesso-te que, perante o romance, estou siderado, rendido. (...)

Um escritor: Parabéns pelo virtuosismo no uso da nossa língua, das nossas palavras. Obrigado pela ironia, pelo humor, pela acidez estimulante. (...)

Ainda um escritor: (...) V. escreveu o melhor texto de prosa portuguesa que me foi dado ler em anos. Nele encontrei tudo: ritmo, música, vernaculidade, suspense, mistério, escuridões, desesperos, enfim... Aquilo por que o leitor espera quando abre um livro. (...)

Enfim, opiniões são o que são. Mas a que propósito vem agora a ladainha, neste exercício de risco, a lembrar a história do cesto roto? Pois a um só. É que o mercado das Letras não teve, em todo este tempo, uma letra única que fosse, para dar um sinal das Aves. Qualquer sinal! O mercado ficou imperturbável, coçando a sarna na esquina. Falta não me faz nenhuma! Mas julguei que havia mercado!