sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Nada mau!

No écrã da 1 passa uma tropa de paineleiros de largo espectro. É um grupo que alegra a vista, por tão variegado e colorido, em contraste com a rotina monocórdica do costume.
Nele o Pires de Lima, o ex-ministro passista, representa a direita fanatizada pela angústia da perda. (Aqui entre nós, enquanto aviador, faz-me lembrar as imagens mais penosas que já vi na vida, daquele último Concorde em França, a arrastar uma asa a desfazer-se em fogo, com metade da potência programada e a resistir até ao absurdo, até ao último limite, até desabar em cima dum hotel).Todo o discurso do passista se baseia em falsificações retóricas, a mais primária das quais é repetir à náusea que os portugueses estão a ser levados pelo Costa, estão a ser vigarizados pelo Costa, estão a ser atraiçoados pelo Costa. Isto porque os entendimentos políticos à esquerda não foram sufragados em eleições. Como se eles tivessem que o ser. A figura põe-se no papel do boi que gosta de se ouvir e o não esconde. De armação embolada em camadas sucessivas de verniz, só investirá se o encostarem às tábuas. É então que lhe cai o verniz e se torna perigosa. Mas até lá, fará por escapar ao duro ferro.
António Filipe é o conas do grupo. Representa desgraçadamente, ou talvez não, o comité central. Ajardina formalismos, perde-se em gestos redondos. Com um par de bons muletazos encerrava a lide e mandava entrar a parelha das mulas, a arrastar na poeira os restos do adversário. Mas ele não sabe, ou não quer, ou não pode, ou não lhe convém fazê-lo. 
Graça Franco já percebeu o drama, dá uma no cravo e outra na ferradura. De vez em quando descompõe a saia, e num requebro põe a arejar a coxita, talvez pegue.
A genica, a faísca, a lucidez, um sorrisão sardónico e letal, e um razoável par de impiedosos tomates, residem na Roseta. Contrariam a santa Natureza?! Nada mau!