domingo, 8 de março de 2015

Glaciares

Não sou geólogo e já é tarde para as minhas "novas oportunidades". Mas meto a foice em seara que não é minha por me parecerem aqui evidentes os sinais e os efeitos da última glaciação (aprox. entre os últimos 100 mil e 10 mil anos). 
A paisagem fica ali à espalda da vila, na encosta que desce para Poente, na direcção de Miguel Choco e da Venda do Cepo.
Estes penedos rolados, estas fragas-cavaleiras, estas moreias e blocos paralisados, a sugerir um movimento que ficou suspenso, são brutos trabalhos de Hércules que só um glaciar pode ter realizado.
O fenómeno (nada incomum) encontrou pela frente o Monte do Almansor e dividiu-se em dois ramos. Um foi para Sul, na direcção do Mondego, escavando as vertentes que hoje conduzem ao Barrocal (a toponímia sempre!). O outro forçou para Norte, segundo o curso do Távora, e deixou aberta a garganta do São Brás dos Montes, hoje tido como bom advogado dos males de garganta e protector dos gados.
Ressalva-se em tudo, é claro, melhor opinião.