sábado, 5 de março de 2016

Ideias que luzem

"O que está a ser globalizado são essencialmente os mercados financeiros e os fluxos de capitais."  
Junte-se ao cocktail uma pitada de América Latina.
Falta só acrescentar África quanto baste.
A Europa está de novo ajoelhada, às mãos de falsas elites traiçoeiras. Do Putin e dos chinocas tratamos depois.
O resto é trotil, pozinhos de açúcar, e um preto a abanar um leque de palmeira! 
E o Império será outra vez grande!

sexta-feira, 4 de março de 2016

Estilhaços 19

São mil e oitocentos milhões deles (que o Santander devolve por ricochete), à procura da nossa pele.
Valha-nos a forja do Vulcano, que temperava os escudos dos heróis

Era piada

Se antes não fosse miserável crime!

Filósofos e eruditos

«Um estranho fenómeno aconteceu na Culturgest todas as segundas-feiras de Fevereiro ao final da tarde: uma multidão de centenas de pessoas acorreram para ouvir as conferências de Maria Filomena Molder (MFM), um ciclo chamado Não te esqueças de viver
No primeiro dia, grande parte desta multidão não teve lugar no pequeno auditório. Nos outros dias, as conferências foram deslocadas para o grande auditório, que ficou cheio, mesmo estando assegurada a transmissão em streaming. MFM foi professora no curso de Filosofia da F.C.S.H. da Universidade Nova de Lisboa, mas é uma explicação insuficiente pensar que um tão vasto público é constituído pelos seus ex-alunos. (...)
Por outro lado, MFM nunca trouxe a filosofia para a praça pública, para os media, como alguns psicólogos, sociólogos e tutti quanti. Nem praticou uma filosofia pop. Nem fez do exercício filosófico uma disciplina oracular e de sapiência. (...) E jamais concebeu a filosofia como guia para a vida e instrumento terapêutico, à maneira das “consultas filosóficas”. É verdade que de Sócrates ao estoicismo e ao epicurismo a concepção da filosofia como “exercício espiritual” e as suas práticas de reflexão e leitura forneceram o modelo para as “consultas” onde se pratica a “filosofia aplicada”. (...)
Esta reflexividade é um modo de pensar digressivo, muito livre e apto à divagação, mas sem cair na arbitrariedade. Assim, a exposição filosófica não é temática e disciplinarmente limitada. Daí, uma outra característica de enorme alcance das exposições orais de MFM: a leitura e a interpretação de textos da mais variada proveniência (um poema de Joaquim Manuel Magalhães pode vir na sequência de uma proposição de Wittgenstein). (...)
A conclusão que devemos retirar do que aconteceu na Culturgest (mas quem esteja atento descobre-o também noutros lados) é que há um público numeroso e exigente, para o qual quase não é feita a edição, nem as livrarias, nem as revistas, nem os jornais e muito menos a televisão e a rádio. É um público espoliado, condenado ao afastamento para o espaço privado, expulso de uma esfera pública moldada por ditames que nem lhe dão direito à existência.»
[António Guerreiro, in ÍPSILON]

Auréola difusa

Uns cães ladram na neblina, a um minguante que não passa duma auréola difusa. Berram à frialdade matinal que brava sopra.
Despedem-se do Cavaco, arreganham-lhe os caninos. Ou protestam, quem o sabe, com os mercenários das televisões, as públicas e as privadas, as de sinal aberto e as do fechado, que a despropósito exibem os esgares do disparatado Passos, em qualquer horário nobre.
Mas nós sabemos que o solstício sobe, porque ela eppur si muove!

Cachimbo da paz


Vivi anos no Porto, nem os conto. Mas nunca o encontrei, nem ele a mim, inglêsmente cinzento, molhado e friorento, corrido pela nortada. Vi sempre ali uma aldeia muito grande, um labirinto medieval, que nunca teve a catástrofe dum terramoto, nem um Pombal iluminado, nem o Manuel da Maia, nem o Carlos Mardel, nem o Eugénio dos Santos que o riscassem à moderna. Ficou um lugar antigo, tosco e rústico, uma aldeia de gauleses onde ficou o melhor e o pior de todos nós: o ar da mula que não alija a carroça. a risada que desdenha cosmopolitismos aviados em botica, um arcaz onde guardámos os atavismos mais fundos, um horizonte pacóvio que não vai além do bairro, e a farronquice de pagar a frívola Casa da Música e voltar contente a casa. Para mim, ao longo dos anos, o Porto era tudo isto, e não tinha a consciência de o ser. Que é a única maneira de alguém ser alguma coisa.
Foi assim com grande alívio que uma dia o deixei para trás, como faz um filho ao pai: mata-o para lhe sobreviver, o Freud explica. 
Hoje o Porto faz-me falta, e com prazer o reencontro, se preciso. Como ele é, me retribui. Na Latina tinha à espera esta pequena pérola dum autor italiano. Já não via há muito tempo luzir uma coisa assim, a ela vamos voltar.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Olha-m'outra!

E o que é que terá acontecido?! Fora da cabeça dela, claro! Porque dentro já sabemos.